Relação Tensa entre Governo e Agronegócio
O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Pedro Lupion, enfatizou a crescente tensão entre o agronegócio e o governo federal, em um momento em que o setor depende cada vez mais do apoio executivo. Em suas declarações, ele mencionou a necessidade urgente de um Plano Safra robusto e de uma renegociação das dívidas rurais, afirmando: “Realmente, há uma tempestade perfeita que atinge o setor”.
A entrevista ressaltou o posicionamento da FPA, que se mantém crítico ao governo quando necessário, mas que também busca diálogo. “Não temos porta fechada em lugar nenhum. As demandas do setor são extremamente importantes, e é necessário que haja um mínimo de interesse por parte do governo em atender essas questões. Às vezes, esse interesse simplesmente não existe, e isso gera críticas. Precisamos demonstrar quando algo está errado e procurar soluções para os desafios que enfrentamos”, destacou Lupion.
O presidente da FPA também alertou que o governo está se isolando em sua própria bolha, que, segundo ele, é contrária aos interesses do agronegócio. “As demonstrações estão todas aí: as resoluções do Conama e do Conselho Monetário Nacional, além do comitê gestor da reforma tributária, que está buscando a emissão de nota fiscal de produtor não contribuinte. Existem muitos obstáculos que estão no caminho e que tendem a intensificar o tensionamento”, disse ele.
Avanços e Desafios no Setor
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Lupion reconheceu algumas ações positivas do governo, como a abertura de novos mercados para produtos agropecuários, uma iniciativa que, segundo ele, é um legado da ex-ministra Tereza Cristina. Contudo, ele lamentou a perda de protagonismo do Ministério da agricultura nas decisões governamentais, o que, segundo ele, enfraquece o setor. “Quando é para elogiar, nós elogiamos o governo, mas quando é necessário criticar, fazemos isso também. Os avanços que tivemos foram resultantes das reações da bancada e do Congresso contra medidas prejudiciais”, afirmou.
Embora a relação entre a FPA e o governo tenha melhorado em alguns aspectos, Lupion ressalta a urgência de resolver questões como a revisão dos dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes). Essa revisão, segundo ele, está dificultando o acesso ao crédito rural. Ele comentou que o próprio ministro da Agricultura reconheceu a gravidade do problema e está colaborando para solucioná-lo.
Preocupações com o Plano Safra
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Sobre o Plano Safra, o presidente da FPA expressou seu ceticismo em relação à capacidade do governo de proporcionar um suporte financeiro adequado. “A irresponsabilidade fiscal do governo é tão grande que não vejo de onde eles conseguirão os recursos. Atualmente, o Plano Safra representa apenas 25% do total necessário para financiar o setor. E muitos que financiam o agro estão enfrentando sérias dificuldades”, destacou. Ele alertou que a renegociação das dívidas rurais é uma questão premente, pois o setor se aproxima de uma situação crítica, semelhante à crise dos anos 1990.
Em uma análise mais ampla, Lupion afirmou que enquanto o agronegócio como um todo tem grandes conglomerados empresariais que podem ter interesses políticos diversos, o produtor rural, na média, tende a preferir uma administração mais alinhada à direita. “Essa é uma questão ideológica muito clara. O setor tem consciência de que está sendo penalizado por suas visões políticas que divergem do governo atual”, concluiu.
