Uva potiguar ganha espaço na Chapada do Apodi
Conhecida tradicionalmente pela produção de melão, a Chapada do Apodi, no Rio Grande do Norte, tem visto a uva de mesa alcançar destaque. Em Apodi, o casal Márcio e Erivania Valdevino cultiva sete hectares da variedade Vitória, sem sementes, e produz cerca de 20 toneladas mensais. Além disso, eles estudam usar parte da colheita para viabilizar um projeto de produção de vinho na região.
Do sonho à realidade: o início do cultivo
O plantio da uva Vitória começou de forma experimental em 2018, com apenas dois hectares. Desde então, a produção acompanhou o crescimento do mercado local. A Agrícola Cruzeiro da Serra, empreendimento do casal, já distribui uvas para cidades do Oeste potiguar e alcança a Região Metropolitana de Natal. A meta é ambiciosa: ampliar a produção para 35 toneladas por mês até o fim de 2026 e dobrar a área plantada para 14 hectares até 2028.
Potencial da região e inspiração para o cultivo
“Nossa região é rica em água e tem grande potencial para fruticultura, como melão, melancia e mamão”, destaca Márcio Valdevino em reportagem da UERN TV, da Rede Nacional de Comunicação Pública, exibida em 20 de agosto pela TV Brasil. A ideia de cultivar uvas surgiu após uma viagem do casal a Gramado, no Rio Grande do Sul, em 2017. Lá, conheceram áreas produtoras e descobriram que o semiárido nordestino já apresentava produção em escala no Vale do São Francisco. Em 2018, iniciaram o plantio das variedades Núbia e Vitória.
Transformação da propriedade e início da produção agrícola
Antes de investir na agricultura, Márcio e Erivania atuavam na construção civil e adquiriram 105 hectares na Chapada do Apodi com a intenção de desenvolver um loteamento de chácaras. Parte da área foi desapropriada para o projeto de irrigação da Chapada, conduzido pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), restando 22 hectares para cultivo. Com isso, o projeto agrícola ganhou espaço e foco na produção de uvas.
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Produção mensal e manejo do parreiral
Em maio, os sete hectares estavam totalmente dedicados à uva Vitória, com produção aproximada de 20 toneladas por mês. O cultivo é escalonado, com podas semanais que mantêm diferentes partes do parreiral em fases distintas. “Faço poda toda semana, assim tenho todas as etapas da uva simultaneamente”, explica Márcio. O manejo envolve poda, desbrota, amarração, retirada de excesso de material, raleio e colheita.
Clima favorável e ciclos produtivos
Os mais de 300 dias de sol anuais favorecem o aumento dos ciclos produtivos. A propriedade consegue colher entre duas e duas safras e meia por ano. “Por termos sol praticamente o ano inteiro, conseguimos tirar até duas safras e meia anualmente”, comenta o produtor.
Distribuição regional da produção
Inicialmente, a comercialização da uva se concentrou no Oeste potiguar, atendendo cidades como Apodi, Mossoró, Assú e Pau dos Ferros. A fruta também alcançou Parnamirim, na Região Metropolitana de Natal. Erivania, responsável pela área comercial da Agrícola Cruzeiro da Serra, destaca a proximidade dos compradores como vantagem competitiva diante de uvas vindas de outros estados. “Nossa uva é colhida hoje e chega ao mercado no dia seguinte”, afirma.
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Geração de empregos e importância econômica
A produção mantém cerca de 30 empregos diretos, envolvendo atividades desde o manejo dos parreirais até a seleção e colheita dos cachos. A cultura exige trabalho contínuo, refletindo sua relevância para a economia local.
Apoio técnico do Sebrae e parcerias
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) acompanhou a implantação do projeto, por meio do Sebraetec, auxiliando na escolha das mudas, irrigação e plantio. “Todo o projeto foi acompanhado pelo Sebrae, que subsidiou até 70% do custo com assistência técnica especializada”, conta Márcio. A Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) também contribuiu com suporte técnico.
Expansão da plantação e projeto de vinificação
O casal planeja ampliar a área cultivada em mais sete hectares até 2028, chegando a 14 hectares. Junto à expansão, estudam avançar para o mercado de vinhos com uvas produzidas na propriedade. Embora ainda em fase de estudo e sem prazo definido, a vinificação representa um novo horizonte para a Agrícola Cruzeiro da Serra. Enquanto isso, a prioridade permanece no aumento da produção de uva de mesa e na expansão dos parreirais nos próximos anos.
