A trajetória da Taj Ma House e o lançamento do álbum Vitral
O primeiro álbum da Taj Ma House ainda não chegou oficialmente às plataformas digitais, mas já se prepara para ganhar os palcos com a estreia da turnê Vitral, prevista para o dia 6 de agosto no Sesc Pompeia, em São Paulo. O sucesso foi imediato: os ingressos para a apresentação online esgotaram em apenas duas horas. A banda natalense ainda segue com uma apresentação no Rio de Janeiro e planeja outras datas em Natal.
Em pouco mais de três anos, a Taj Ma House construiu uma trajetória significativa, incluindo turnês pela Europa, apresentações em diversos países e três prêmios Hangar de Música. O novo álbum, que reúne onze faixas, foi concebido como uma experiência contínua, inspirada na lógica de um DJ set, onde cada música conduz naturalmente à seguinte.
Identidade ao vivo e conexão com a pista de dança
Para Pajux, integrante da banda, a escolha de apresentar as músicas ao vivo antes do lançamento digital reflete a essência do grupo. “Muitas das músicas foram construídas durante nossos shows. Começamos como uma banda ao vivo, então faz sentido que o público experimente primeiro a energia da pista de dança antes do disco chegar aos fones de ouvido”, explica.
A ligação com a pista de dança remonta ao início do grupo, que surgiu quase por acaso durante apresentações de DJs na festa Houssaca. A união entre Pajux, Elisa Bacche, Clara Luz e Janvita deu origem a uma banda dedicada à house music produzida em Natal.
House music como ponto de encontro e fortalecimento da cena local
Mais do que um gênero, a house music representa um espaço de encontro para a comunidade local. Elisa destaca que o projeto nasceu da necessidade de fortalecer uma cena que já existia, trazendo um abraço coletivo da música e da energia da pista. “Queremos levantar ainda mais essa comunidade que já se forma em torno da música eletrônica”, afirma.
Pajux reforça que a cena eletrônica natalense é sólida, embora pouco conhecida fora do circuito especializado. “Natal tem uma cena alternativa e underground muito forte, reconhecida nacional e internacionalmente, com casas e festas que já fazem parte do mapa da música brasileira”, comenta.
Referências locais que enriquecem a sonoridade
A sonoridade da Taj Ma House também dialoga com referências culturais locais que extrapolam a música eletrônica. Pajux cita influências do axé, da Banda Grafith e do Chiclete com Banana, unindo psicodelia e percussões em uma mistura que dá identidade ao som do grupo.
Do EP ao álbum: uma continuidade estética e conceitual
Embora já tenham lançado um EP e um single, a banda sempre teve em mente a produção de um álbum completo, com a intenção de registrar a sensação de estar numa pista de dança natalense. Elisa descreve o novo trabalho como um “plano sequência”, que aprofunda e intensifica o que já foi apresentado anteriormente.
Entre as faixas inéditas, “Sinto o Groove” se destaca, inspirada no Clube Frisson e em um antigo jingle de rádio dos anos 1990, gerando expectativas para o público que acompanha a banda.
Reconhecimento internacional e desafios locais
A experiência da banda na Europa confirmou que a identidade construída em Natal encontra eco em outros países. Durante a turnê, a Taj Ma House encontrou brasileiros em várias cidades, apresentou referências locais e observou que o público estrangeiro responde à energia da música, mesmo sem compreender as letras.
Elisa ressalta que esse reconhecimento internacional comprova a validade do esforço da banda. No entanto, ela também destaca a carência de incentivos para artistas locais crescerem. “Se não valorizarmos nossa cultura, não conseguiremos levar nossa música para fora”, alerta.
Pajux complementa, apontando a falta de políticas públicas que acompanhem a produção artística local. Ele critica a concentração de recursos em grandes eventos e defende investimentos contínuos para fortalecer a cena cotidiana e os jovens artistas independentes.
A Ribeira como símbolo da cena cultural natalense
Durante a conversa, a Ribeira surge como exemplo do que a banda defende para Natal: um reconhecimento da produção cultural para além dos cartões-postais tradicionais. Pajux destaca espaços como Clube Frisson, Ribeira Music e Galpão 292 como essenciais para a manutenção da cena independente, mesmo diante das dificuldades.
Para ele, fortalecer esses espaços é fortalecer a identidade cultural da cidade, criando uma Natal mais interessante para os moradores e visitantes. “Fazer uma cidade para quem mora aqui é o caminho para que ela seja de fato interessante”, conclui.
Agenda e perspectivas da Vitral Tour
Com foco na circulação, a banda segue com a agenda da Vitral Tour, após as apresentações em São Paulo e Rio de Janeiro, com expectativa de anunciar novas datas em Natal. Para os integrantes, o objetivo permanece o mesmo que motivou a criação do projeto: fazer a música produzida na capital potiguar ganhar o mundo sem perder a conexão com sua origem.
