Queda nos Registros de Maus-Tratos
O Rio Grande do Norte registrou, nos primeiros três meses deste ano, 131 casos de maus-tratos contra animais, refletindo uma redução de 14,4% em comparação ao mesmo período de 2022, que contabilizou 153 ocorrências. Natal, a capital do estado, continua a ocupar a liderança entre os municípios com mais registros, totalizando 39 incidentes. Os dados foram fornecidos pela Secretaria de Segurança Pública do Estado (Sesed/RN) e compartilhados com a TRIBUNA DO NORTE.
No município de Natal, a diminuição dos casos foi de 15%. Além da capital, as cidades de Parnamirim e Mossoró, ambas com 9 registros, Extremoz com 7 e São Gonçalo do Amarante também se destacam na lista das localidades com mais ocorrências.
Perfis Diversos de Maus-Tratos
Vitor Emanuel, supervisor operacional da Associação de Proteção aos Animais (Aspan) do Rio Grande do Norte e estudante de Medicina Veterinária, comenta que os maus-tratos a animais apresentam perfis variados. Entre os casos mais frequentes atendidos pela entidade, ele menciona agressões e abandonos. “Um caso recente envolveu um animal que sofreu pauladas e queimaduras. Outro cão foi encontrado preso em um carro na BR-101, sem acesso a água ou comida. Há também muitos abandonos, como quando pessoas soltam os animais na frente da ASPAN, amarrados com correntes”, conta Vitor.
Atualmente, a ASPAN/RN abriga cerca de 500 animais e conta com uma equipe de 17 funcionários. Apesar de muitos relatos de maus-tratos chegarem à entidade, Vitor enfatiza a importância de formalizar as denúncias na Delegacia Especializada de Defesa ao Meio Ambiente e Assistência ao Turista de Natal (DEMATUR), a fim de potencializar as ações de resgate.
Desafios Persistentes e Saúde Pública
Embora Vitor reconheça os avanços nas políticas públicas voltadas para a acolhida de animais, ele ressalta que ainda há um longo caminho a percorrer. Para ele, os casos de maus-tratos devem ser analisados sob a perspectiva da saúde pública, considerando que muitos animais resgatados padecem de zoonoses, doenças que podem ser transmitidas entre humanos e animais. “Essa questão precisa ser constantemente debatida, pois a negligência pode gerar grandes problemas. A leishmaniose, transmitida pela picada do mosquito palha, é um exemplo. Dos nossos resgates, cerca de 80% dos animais estão positivos para essa doença, que é transmissível ao ser humano se não for tratada”, alerta.
Adoção de Animais: Desafios e Resistências
Outro obstáculo identificado por Vitor na ASPAN/RN é a adoção de cães adultos. Ele argumenta que a resistência a adotar animais dessa faixa etária se deve a uma série de fatores, que vão desde a preferência por filhotes até dificuldades financeiras enfrentadas por muitas pessoas. “Com o passar dos anos na ASPAN/RN, percebi que a adoção de filhotes ocorre, mas a aceitação de cães adultos se torna cada vez mais complicada”, explica.
Orientações da Polícia Civil sobre Maus-Tratos
Em busca de informações sobre as medidas da Polícia Civil do Rio Grande do Norte em relação aos maus-tratos a animais, a TRIBUNA DO NORTE questionou sobre as iniciativas em andamento e orientações para denúncias. A resposta da PCRN focou apenas nas orientações. Segundo o órgão, ao perceber maus-tratos, a população deve, com cautela, registrar a situação por meio de fotos e vídeos para evitar retaliações e, em seguida, realizar a denúncia junto à Polícia Civil e aos órgãos ambientais.
