Mudança de Estratégia Política Impacta Cenário Eleitoral
A recente decisão do ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, de desistir de sua pré-candidatura ao Senado Federal, provoca uma reformulação significativa no cenário político da oposição no Rio Grande do Norte, em vista das eleições de 2026. Em um comunicado divulgado na terça-feira (5), Carlos Eduardo anunciou que não irá concorrer ao cargo, após dialogar com o pré-candidato ao governo, Allyson Bezerra.
Segundo Carlos Eduardo, a escolha foi influenciada por uma orientação da direção nacional do União Brasil, que priorizou a eleição de deputados federais e a disputa pelo governo, decidindo não alocar recursos do fundo eleitoral para candidaturas ao Senado.
“Ficou decidido que não serei candidato ao Senado da República”, afirmou o político. Ele ressaltou ainda que continuará contribuindo para o debate político no Estado, “com ou sem mandato”, mas não revelou se buscará uma candidatura a deputado federal ou estadual.
A saída de um dos nomes mais fortes da oposição no cenário senatorial cria um vácuo na composição da chapa majoritária e exige uma reavaliação das alianças políticas em andamento. Com duas vagas em disputa em 2026, a expectativa é de que haja um aumento nas articulações entre os partidos para a definição de novos candidatos.
Nos bastidores, a decisão é vista como parte de uma estratégia mais ampla do União Brasil em nível nacional, focando os investimentos em candidaturas proporcionais, especialmente para a Câmara dos Deputados, com a intenção de ampliar sua representatividade federal.
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Essa mudança também reforça o projeto liderado por Allyson Bezerra, que agora tem um maior controle sobre a formação da chapa majoritária.
Zenaide Maia: Candidata Única ao Senado
A senadora Zenaide Maia, do PSD, é a única candidata ao Senado que já recebeu apoio para a pré-candidatura de Allyson Bezerra, que envolve os partidos UB, PP, PSD, MDB, Republicanos e SDD. Zenaide já foi eleita em 2018 na chapa majoritária que tinha à frente a governadora Fátima Bezerra, contando com forte suporte da militância petista. Sua atuação em Brasília é notoriamente progressista, aliando-se a pautas defendidas pelo governo federal.
Como vice-líder do governo Lula no Congresso, a senadora se posicionou favoravelmente a propostas como a taxação dos super-ricos e expôs seu apoio a agendas sociais e de direitos humanos.
Mais recentemente, Zenaide se aproximou do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, que é um adversário declarado da governadora Fátima Bezerra, criando uma nova dinâmica para o palanque estadual nas próximas eleições.
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Uma Nova Direção para o União Brasil
A decisão do União Brasil de retirar o apoio a Carlos Eduardo Alves reflete uma estratégia prática e focada: priorizar a eleição de deputados federais para aumentar a influência do partido no Congresso, onde se concentra o poder político e a capacidade de articulação.
Essa movimentação é coerente com o que se observa entre partidos de centro, que estão investindo em bancadas fortes como seu principal ativo. No entanto, essa decisão gera consequências significativas no cenário estadual.
A desistência de Carlos Eduardo, que possui um histórico eleitoral consolidado, compromete a competitividade da chapa majoritária da oposição no Senado, especialmente em um pleito que oferece duas vagas, onde a formação de parcerias é crucial.
Embora isso reduza os potenciais focos de disputa interna, também solidifica a posição de Allyson Bezerra à frente do projeto da oposição, centralizando as decisões estratégicas.
O grande desafio agora será manter o equilíbrio entre a coerência da estratégia nacional do partido e a competitividade local. A escolha de novos nomes para o Senado e a habilidade de atrair aliados serão determinantes para avaliar o impacto dessa decisão nas eleições de 2026 no Rio Grande do Norte.
Trajetória de Carlos Eduardo Alves
Desde que deixou seu cargo como prefeito de Natal em 2018, Carlos Eduardo Alves não ocupa nenhum mandato. Ele se afastou do PSD, onde havia sido convidado pela senadora Zenaide Maia após a sua derrota na eleição para prefeito em 2024. No final do ano passado, ele se filiou ao União Brasil, buscando uma nova oportunidade de disputar uma vaga no Senado.
Carlos Eduardo teve sucesso ao ser eleito prefeito de Natal em 2004, 2012 e 2016, mas sua trajetória também inclui uma série de derrotas eleitorais. Em 2010, por exemplo, ele ficou em terceiro lugar na corrida pelo governo do Estado, conquistando cerca de 160 mil votos. Ele também perdeu nas eleições de 2018 e, em 2022, obteve a segunda colocação na disputa pelo Senado, onde, ao lado de outros candidatos, foi derrotado.
No último pleito de 2022, Carlos recebeu 565.235 votos, o que corresponde a 33,40% da votação, enquanto Rogério Marinho, o vencedor, obteve 708.351 votos, totalizando 41,85%. Em 2024, Carlos ficou em terceiro lugar em sua tentativa de retornar à prefeitura, recebendo 23,95% dos votos, superado por Paulinho Freire, que teve 44,08%, e Natália Bonavides, que obteve 28,35% dos votos no primeiro turno das eleições municipais.
