Desentendimento Político em Mossoró
A tensão política entre o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (UB), e a administração estadual do Rio Grande do Norte alcançou um novo patamar após a divulgação da Operação Mederi. Essa operação investiga indícios de que Bezerra teria solicitado uma propina de 15% nas compras de medicamentos. Durante a inauguração de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no Assentamento Favela, o prefeito foi questionado pelo site Mossoró Hoje sobre a situação política conturbada que enfrenta. Em sua resposta, Allyson preferiu criticar a saúde pública administrada pelo Governo do Estado.
“Insisto que todos os sistemas que implementamos em Mossoró sejam abertos. São ferramentas que deveriam estar em uso pela administração estadual, mas não estão. A transparência é inexistente lá,” afirmou Bezerra, mencionando a falta de medicamentos na UNICAT como um exemplo de suposta gestão ineficaz por parte do governo estadual.
Contra-argumentos da Secretaria de Saúde
A Secretaria de Saúde do Rio Grande do Norte (SESAP) respondeu de forma ágil, buscando refutar a narrativa de um “apagão tecnológico” que Bezerra insinuou. O secretário Alexandre Motta, acompanhado do diretor técnico Tiago Vieira, divulgou um vídeo detalhando informações que contradizem as alegações do prefeito.
Entre os pontos abordados, Motta destacou que, ao contrário do que foi sugerido por Bezerra, o Estado utiliza o Sistema Hórus, uma plataforma do Ministério da Saúde que é idêntica àquela empregada no município de Mossoró. Esse aspecto é essencial, pois desacredita a ideia de que a gestão estadual está aquém em termos de transparência e tecnologia na saúde.
Outro ponto crucial levantado pela SESAP foi o acesso à informação. O governo estadual ressaltou que qualquer cidadão pode conferir a existência de medicamentos e protocolos clínicos por meio do portal oficial da UNICAT, o que refuta a acusação de falta de clareza.
Além disso, dados técnicos revelaram que o atendimento em Mossoró experimentou um crescimento significativo. O número de pacientes atendidos aumentou de aproximadamente 8 mil no início de 2025 para mais de 10,6 mil em dezembro do mesmo ano, o que representa um crescimento de cerca de 32% na cobertura de saúde.
Preocupação com a Segurança e Compromisso com a Saúde
Encerrando sua apresentação, o secretário Alexandre Motta trouxe à tona um dado alarmante sobre a segurança do patrimônio público. Ele lembrou que a administração estadual não hesitou em envolver a polícia para desmantelar uma quadrilha que estava furtando hormônios de crescimento da UNICAT há três meses.
“Temos responsabilidade e compromisso com a prestação dos serviços de saúde,” comentou Motta, reforçando a ideia de que a gestão está focada em resolver problemas estruturais e combater irregularidades, em vez de se envolver em disputas políticas.
Enquanto isso, o prefeito Allyson Bezerra busca politizar as investigações que enfrenta, enquanto o Governo do Estado opta pela estratégia de checagem de fatos. A revelação de que ambos utilizam o mesmo sistema federal (Hórus) enfraquece, sem dúvida, a alegação de que a prefeitura possui uma superioridade tecnológica.
Este embate evidencia não apenas a tensão política em Mossoró, mas também a importância de abordar questões relacionadas à saúde pública com seriedade e transparência. O cenário atual aponta para a necessidade de um diálogo mais construtivo entre as distintas esferas de governo, a fim de garantir uma assistência à saúde que atenda de fato às demandas da população.
