Sistema Único de Saúde implementa sequenciamento de DNA para reduzir tempo de espera por diagnósticos
O Sistema Único de Saúde (SUS) anunciou uma novidade que promete revolucionar o diagnóstico de doenças raras no Brasil. A partir de agora, a rede pública utilizará uma tecnologia avançada de sequenciamento completo de DNA, com a expectativa de atender até 20 mil solicitações anuais. Essa inovação visa diminuir o tempo médio de espera por um diagnóstico de sete anos para apenas seis meses, uma mudança significativa que pode impactar a vida de milhões de brasileiros.
A oficialização da nova plataforma ocorreu na última quinta-feira (26), em um evento em Brasília. Estima-se que cerca de 13 milhões de pessoas no Brasil vivenciem as dificuldades associadas a doenças raras, e a introdução dessa tecnologia é um passo importante para melhorar a saúde pública no país.
Durante a apresentação, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a relevância do projeto: “Disponibilizamos ao SUS o sequenciamento completo do exoma, um procedimento que no mercado privado custaria em torno de R$ 5 mil”.
A aceleração no diagnóstico é fundamental para que os pacientes possam iniciar o tratamento o quanto antes, o que, segundo Padilha, está diretamente ligado à qualidade de vida dos afetados. Ele também mencionou a habilitação de novos serviços destinados ao tratamento dessas condições e lembrou que o próximo sábado marca o Dia Mundial de Conscientização sobre Doenças Raras.
Expansão dos Serviços para Pacientes
O ministro enfatizou a importância da autonomia nacional em pesquisa, produção e tratamento de doenças raras. Existe a previsão de intercâmbio tecnológico com centros internacionais de excelência, o que pode enriquecer ainda mais a abordagem do SUS. “Ao expandirmos esses serviços para estados que ainda não possuem atendimento, garantimos um acesso mais facilitado à população”, afirmou.
Natan Monsores, coordenador de doenças raras do ministério, esclareceu que pacientes que são atendidos ou identificados em serviços especializados, incluindo a triagem neonatal, poderão ser encaminhados para centros de sequenciamento. “Neste primeiro ano, foram investidos R$ 26 milhões, permitindo que realizássemos este exame, que no setor privado custaria até R$ 5 mil, por apenas R$ 1,2 mil”, detalhou.
Monsores ressaltou a precisão que a nova tecnologia trará aos diagnósticos, afirmando que “representa um avanço significativo para a comunidade de pacientes com doenças raras, oferecendo a geneticistas, neurologistas e pediatras uma ferramenta essencial para a conclusão diagnóstica”.
Coleta Simples e Eficiente
A coleta do material para o exame é bastante prática. Pode ser feita utilizando um cotonete na mucosa bucal ou uma amostra de sangue. “Isso nos permite avançar no diagnóstico de deficiências intelectuais e uma variedade de condições genéticas que afetam as crianças”, mencionou Monsores, destacando a importância do procedimento.
Até o momento, 11 estados já ativaram os serviços, e em apenas três meses de funcionamento, foram realizados 412 sequenciamentos, resultando em 175 laudos entregues. “Nossa meta é expandir a rede para todas as unidades da federação até abril de 2026”, projetou.
Tratamento Inovador para Atrofia Muscular Espinhal
Além da nova tecnologia de sequenciamento, o Ministério da Saúde também divulgou um tratamento inovador com terapia gênica para crianças diagnosticadas com Atrofia Muscular Espinhal (AME). “Trata-se de uma doença que pode ser fatal se não tratada precocemente. Todas as crianças que receberam essa terapia mostraram interrupção da progressão da doença”, ressaltou.
Expectativas e Repercussões entre Pacientes
Maria Cecília Oliveira, presidente da Associação dos Familiares, Amigos e Pessoas com Doenças Graves, Raras e Deficiências, presente no evento, elogiou os avanços nas políticas públicas para pacientes com doenças raras. “Minha esperança é que o programa ‘Agora tem especialistas’ realmente impacte a vida dos pacientes, que é nossa principal luta”, declarou.
Lauda Santos, presidente da Associação Maria Vitória de Doenças Raras e Crônicas (Amaviraras), também destacou a importância da divulgação dos novos serviços do SUS. “O maior desafio é garantir que essas informações cheguem a todos os pacientes. As dificuldades ainda existem e espero que isso mude, pois mudanças não acontecem da noite para o dia”, comentou.
Ela enfatizou a necessidade de fortalecer as entidades que representam os pacientes e expressou sua preocupação com a alta carga tributária que incide sobre os medicamentos.
