Desafios no Acesso ao Crédito Rural
As dificuldades em obter crédito rural foram o tema central de uma reunião promovida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O encontro, realizado na última terça-feira (7), em Linhares, no Espírito Santo, reuniu produtores, federações e sindicatos rurais do Sudeste para discutir as demandas regionais para o Plano Safra 2026/2027. Durante a discussão, as exigências de garantias na contratação de créditos se mostraram como um obstáculo significativo para os agricultores.
A reunião teve como objetivo levantar as necessidades específicas do setor agropecuário, abordando não apenas o crédito rural, mas também políticas de apoio à comercialização e gestão de riscos. Entretanto, a preocupação dos presentes se concentrou no endurecimento das condições de financiamento, especialmente em relação às garantias exigidas pelas instituições financeiras.
No início do encontro, Júlio da Silva Rocha, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Espírito Santo (Faes), enfatizou a importância de construir coletivamente sugestões para o Plano Safra. Ele expressou que o atual cenário é alarmante para os produtores. “Estamos passando por um Plano Agrícola e Pecuário não muito positivo, especialmente no que se refere às garantias, o que gera apreensão entre os agricultores”, afirmou.
O assessor técnico da Comissão Nacional de Política Agrícola da CNA, Guilherme Rios, acrescentou que a entidade realiza anualmente encontros regionais com o setor produtivo para consolidar uma proposta técnica a ser apresentada ao governo federal. Durante a reunião, Rios trouxe à tona dados que evidenciam uma diminuição nas contratações do Plano Safra. Segundo ele, na safra 2025/2026, houve uma queda de 13% nas contratações em comparação ao ciclo anterior, desconsiderando as Cédulas de Produto Rural (CPR).
Rios destacou que essa retração reflete a crescente dificuldade que os produtores enfrentam para acessar os recursos. “O crédito não está chegando até o produtor. Aqueles que conseguem acessar os recursos relatam limites menores e exigências maiores de garantias, indicando um endurecimento considerável do mercado de crédito”, apontou.
Entraves e Expectativas para o Futuro
Um dos principais obstáculos mencionados pelos participantes da reunião é a alienação fiduciária, que tem se tornado um grande entrave no acesso ao crédito rural. Os relatos indicam que arrendatários enfrentam ainda mais dificuldades para conseguir financiamento, já que a exigência desse tipo de garantia tem se intensificado. Esse cenário tem levantado preocupações, principalmente pelo aumento do endividamento rural.
Os participantes relataram que os bancos têm elevado as exigências, o que preocupa o setor, uma vez que muitas propriedades já estão comprometidas com operações anteriores, reduzindo, assim, a capacidade de contratar novos financiamentos e restringindo ainda mais o acesso ao crédito. Essa situação crítica exige uma resposta rápida e eficaz das autoridades competentes.
Com o objetivo de reunir contribuições do Sudeste, a CNA busca formular propostas que serão levadas ao governo no âmbito do Plano Safra 2026/2027. O setor aguarda que o próximo ciclo enfrente as dificuldades no financiamento e amplie, de fato, o acesso dos produtores aos recursos oficiais.
Demandas Específicas do Custeio
Outro ponto destacado na reunião foi a questão das linhas de custeio agropecuário. Uma das principais demandas da região Sudeste é a revisão das condições do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Os participantes sugeriram que o limite da renda bruta anual fosse aumentado de R$ 250 mil para R$ 300 mil e que as taxas de contratação fossem reduzidas, variando entre 0,5% e 8,0% ao ano. Essas mudanças são vistas como fundamentais para garantir a sustentabilidade e o crescimento dos pequenos agricultores na região.
