Custo Elevado de Insumos e Incertezas Climáticas
A recente escalada do conflito no Oriente Médio tem gerado consequências diretas para o agronegócio brasileiro. Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro, afirmou em entrevista ao Times Brasil, licenciado pela CNBC, que a alta nos custos de insumos essenciais é um dos principais desafios enfrentados pelo setor atualmente.
Serigati ressaltou que as iniciativas do governo federal, como os subsídios ao diesel, funcionam apenas como uma solução temporária. “Esse é um paliativo que pressupõe um aumento restrito no preço dos combustíveis no mercado internacional e uma duração limitada do conflito. Na verdade, você está transferindo um choque de preços para um choque fiscal em uma situação já delicada”, observou ele.
O especialista também alertou sobre o impacto que esses fatores poderão ter na inflação, resultando em um aumento nos preços dos alimentos ao longo de 2026. “O aumento do preço do combustível será sentido inicialmente na distribuição, o que encarece o frete rodoviário necessário para levar os produtos ao mercado consumidor. No Hemisfério Norte, os agricultores já sofreram com a guerra durante o período de plantio, resultando em um aumento acentuado dos preços das commodities globalmente”, explicou.
Desafios Climáticos e Geopolíticos
A situação não se limita apenas à guerra. A preocupação com o clima se junta às incertezas geopolíticas, aumentando o risco de quebras de produção em regiões-chave do Brasil. “Um quarto fator a ser considerado é a chegada do El Niño, que pode causar escassez hídrica no Cerrado e excesso de chuvas no Sul do país. Esses quatro elementos podem pressionar o preço dos alimentos nos próximos anos, sendo a alta nos combustíveis apenas o primeiro deles”, afirmou o pesquisador.
Para culturas de ciclo curto e permanentes, a dependência de fertilizantes importados, que podem custar milhões de dólares, gera um efeito imediato sobre os custos. Produtos como café, laranja e diversas hortaliças exigem fertilizantes com frequência elevada. “Para os produtores, essa situação é complicada, pois eles têm dificuldade em contornar a alta nos insumos, enquanto os consumidores podem buscar alternativas”, destacou Serigati.
Recomendações para Produtores Rurais
Em meio a essas incertezas, o pesquisador aconselhou cautela aos agricultores que ainda não realizaram a compra dos insumos necessários para a próxima safra. “Aqueles que não precisam comprar agora devem ser prudentes e esperar para ver se a intensidade dessa tempestade se torna mais amena. Comprar fertilizantes no auge da crise é se expor a riscos desnecessários. Para quem pode aguardar, o ideal é evitar essa compra”, concluiu.
