Situação Alarmante no Centro de Diálise de Mossoró
Na última quarta-feira (25), Mossoró, localizada no Oeste potiguar, registrou a terceira morte de um paciente em tratamento de hemodiálise no Centro de Diálise da cidade. A vítima, natural da cidade de Grossos, foi atendida na unidade e, após complicações, foi transferida para um pronto-socorro, onde veio a falecer antes de conseguir uma vaga no Hospital Regional Tarcísio Maia.
Esse triste episódio se soma a um cenário já alarmante, que começou na terça-feira (24), quando outras duas pacientes perderam a vida durante sessões de hemodiálise no mesmo local. A situação gerou indignação e levou à interdição imediata do serviço, além de uma investigação aberta pela Vigilância Sanitária. As vítimas, identificadas como Raquel Ferreira da Silva Cabral e Iraci Inácio de Lima, eram residentes do município de Assú.
Investigação em Andamento
De acordo com as primeiras investigações, as mortes estão ligadas a uma suposta falha no funcionamento dos equipamentos, que teriam paralisado durante o tratamento. Uma das linhas de investigação aponta para problemas no sistema de osmose, crucial para garantir a qualidade da água utilizada na hemodiálise. Além disso, a possibilidade de contaminação da água está sendo minuciosamente analisada, com amostras coletadas para exames laboratoriais.
A Vigilância Sanitária também está avaliando as condições sanitárias do Centro de Diálise, os protocolos seguidos durante os procedimentos e possíveis irregularidades na operação da unidade. A gravidade da situação levou a Secretaria de Saúde Pública do Estado (Sesap) a iniciar, já na quarta-feira, a transferência urgente dos pacientes que estavam sendo atendidos na clínica interditada, visando assegurar a continuidade do tratamento para os pacientes renais crônicos que dependem da hemodiálise.
Transferências e Medidas Emergenciais
As transferências estão sendo realizadas para outra clínica em Mossoró e também para um atendimento no município de Caicó, na região do Seridó. Essa operação mobiliza uma força-tarefa envolvendo clínicas contratadas, o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems) e mais de 30 cidades que dependem do serviço da unidade interditada.
A Sesap também está considerando ações legais para possibilitar a contratação emergencial de um novo serviço de diálise em Assú, com o intuito de atender a demanda crescente na região do Vale do Açu e minimizar os deslocamentos dos pacientes. Enquanto isso, hospitais da rede estadual em Mossoró e Assú estão em alerta, preparados para atender eventuais urgências que requeiram diálise.
Impacto sobre Pacientes e Famílias
A interdição do Centro de Diálise em Mossoró aumentou a pressão sobre pacientes de várias cidades da região Oeste, que dependem do serviço para sua sobrevivência. Muitos familiares estão apreensivos com a possibilidade de interrupção no tratamento e com a necessidade de viajar para outras cidades para receber atendimento adequado.
A Prefeitura de Assú expressou pesar pelas mortes e ofereceu solidariedade às famílias afetadas. Em nota, a gestão reforçou que a hemodiálise em questão é realizada por uma clínica privada que é contratada e supervisionada pelo Governo do Estado, isentando-se de responsabilidade direta pela situação. A Secretaria de Saúde da cidade informa que está cuidando do transporte dos pacientes e continua a monitorar a situação de perto.
Resposta do Centro de Diálise
Em um comunicado, o Centro de Diálise de Mossoró reconheceu a ocorrência de uma intercorrência técnica no sistema de osmose, que levou à suspensão temporária das atividades como uma medida de segurança. A clínica assegurou que adota protocolos rigorosos de controle da qualidade da água, incluindo análises laboratoriais diárias e monitoramento mensal por um laboratório terceirizado, em conformidade com as normas sanitárias. Os laudos são regularmente enviados à Vigilância Sanitária, e a unidade está colaborando com as autoridades para apurar os fatos.
