A Contradição entre a Imagem Pública e a Realidade Judicial
Enquanto o Prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, ocupava espaços nas rádios para projetar a imagem de um gestor “tranquilo” e “sem temores”, seus advogados travavam uma intensa batalha nos tribunais. Uma decisão inédita do Tribunal Regional Federal da 5.ª Região, datada de 30 de janeiro de 2026, revela uma faceta distinta da narrativa apresentada pelo prefeito. Obtida com exclusividade pelo Blog do Dina, a informação mostra que, longe da serenidade alardeada nas entrevistas, a defesa de Allyson buscava furar o sigilo da investigação para evitar a iminente possibilidade de uma medida cautelar — a temida tornozeleira eletrônica.
A narrativa apresentada pelo prefeito na mídia contrasta dramaticamente com o pânico que se instalou em sua defesa jurídica. Após a deflagração da operação, Allyson enfatizou, em entrevistas, sua “tranquilidade” e a confiança nas instituições, referindo-se aos rumores sobre a operação como meras “torcidas” de adversários ou exageros da imprensa.
A Resposta do Judiciário e o Pânico Processual
No entanto, a decisão do Desembargador Federal Rogério Fialho Moreira expôs uma realidade bem diferente. Nos autos do processo, a defesa alegou ter se sentido “surpreendida” por notícias de blogs que informavam que a Polícia Federal poderia pedir a sua monitorização eletrônica. Essa contradição torna-se ainda mais evidente quando se observa que, enquanto no rádio Allyson afirma que “quem não deve, não teme”, no processo a sua defesa descreve a possibilidade de uso da tornozeleira como um fato “gravíssimo”, demonstrando um claro estado de pânico ao exigir que o tribunal esclarecesse a veracidade do pedido da PF.
Uma Manobra Jurídica Arriscada
O pedido da defesa de Allyson vai além de um simples acesso aos autos. O documento revela uma manobra jurídica ousada: os advogados solicitaram que o Tribunal emitisse uma certidão confirmando a existência de um pedido de medidas cautelares contra ele, e ainda exigiram ser ouvidos antes de qualquer decisão do juiz. Na prática, isso significava que o prefeito queria ser avisado previamente, caso a Justiça decidisse impô-lo a tornozeleira eletrônica ou qualquer outra restrição. Essa solicitação subverte a lógica de uma investigação criminal, que busca evitar a destruição de provas ou a fuga.
A Repreensão do Desembargador e o Papel do Judiciário
O Desembargador Rogério Fialho Moreira não apenas indeferiu o pedido, mas aproveitou a oportunidade para aplicar uma “lição de moral” à defesa do prefeito. O magistrado foi claro ao afirmar que o Poder Judiciário não é um “fact-checker” de blogs. “Se o prefeito se sente prejudicado pelas notícias, cabe a ele adotar as providências que entender cabíveis, e não acionar o magistrado para que o faça em seu lugar”, destacou o juiz. Essa negativa reafirma a premissa de que ninguém, nem mesmo um prefeito com aspirações ao governo do Estado, está acima das regras do processo penal.
A situação, portanto, revela um abismo entre a postura pública de confiança e a angústia privada da defesa. Em tempos onde a transparência e a confiança nas instituições são frequentemente questionadas, o caso de Allyson Bezerra se destaca como um exemplo claro das complexidades que permeiam o universo político e judicial no Brasil. A luta entre a imagem pública e os desafios legais é uma realidade que muitos gestores enfrentam, e as implicações deste caso específico ainda devem ser acompanhadas com atenção.
