Operação Mederi Revela Conexões de Corrupção
A Polícia Federal está averiguando um esquema de corrupção que envolve o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, e a utilização de uma conta “laranja” pertencente a uma estudante menor de idade. A investigação foi desencadeada durante a Operação Mederi, que começou no final de janeiro e apura fraudes em licitações na saúde pública da cidade no Rio Grande do Norte.
De acordo com os dados levantados, a conta da menor, filha do proprietário de uma empresa farmacêutica, foi utilizada para movimentar R$ 427 mil em um período de um ano. O total movimentado pelo esquema alcançou a cifra de R$ 13,5 milhões, que supostamente seriam pagos à empresa fornecedora de medicamentos, em troca de propinas para o prefeito.
O prefeito Bezerra, que é pré-candidato ao governo do estado, negou qualquer envolvimento direto com os crimes apurados, afirmando que “não há qualquer fato que o vincule pessoalmente” às denúncias.
Investigação e Denúncias de Corrupção
No centro do caso, a Dismed Distribuidora é destacada como uma das principais envolvidas. O empresário Oseas Monthalggan, apontado como sócio-administrador da empresa, é considerado o principal articulador das entregas de propinas a servidores públicos. A Polícia Federal revela que o esquema de desvio de recursos da saúde também abrange outros municípios, como Serra do Mel, Paraú, São Miguel, José da Penha e Tibau.
Além de Monthalggan, a filha dele e Roberta Ferreira Praxedes da Costa – esposa do sócio da Dismed e proprietária da Drogaria Mais Saúde – também estão no foco da investigação. A conta da menor foi usada para lavar dinheiro do esquema, segundo a PF.
Os investigadores apontam que “o cliente não aparenta possuir capacidade econômico-financeira para movimentar tal volume de recursos”, sugerindo que o dinheiro seria proveniente de sonegação fiscal, movimentado por seu pai.
Movimentação e Conexões Políticas
A análise das movimentações na Drogaria Mais Saúde indica que a maior parte das saídas financeiras da empresa estava direcionada à filha de Roberta e Oseas, com um total de R$ 427 mil recebidos entre julho de 2022 e junho de 2023. O município de Serra do Mel, com cerca de 13 mil habitantes, foi o principal cliente da drogaria, gastando R$ 1,4 milhão com a empresa entre 2024 e 2025.
O ex-vice-prefeito de Serra do Mel, José Moabe Zacarias (PSD), é suspeito de ser um sócio oculto da Dismed e teria operado junto a Oseas no repasse das propinas, conforme os documentos da Operação Mederi.
Escândalo Aprofundado por Gravações Interceptadas
Interceptações telefônicas entre Moabe e Oseas revelam um esquema descrito como “Matemática de Mossoró”, onde propinas são organizadas de forma a atender a pedidos do prefeito Allyson Bezerra. Em um diálogo, Monthalggan detalha a entrega de valores, incluindo porcentuais a serem repassados a Bezerra e a outras autoridades.
Os investigadores afirmam que Bezerra e seu vice, Marcos Bezerra (PSD), estavam no “topo do esquema”, recebendo porcentagens definidas dos contratos com a Dismed. Marcos Bezerra também foi alvo de busca e apreensão durante a Operação Mederi, reforçando as acusações de corrupção.
As conversas interceptadas contêm referências diretas ao recebimento de valores por parte de Allyson e Marcos, levantando preocupações sobre a profundidade da corrupção na gestão pública em Mossoró.
