Reflexões sobre a Relação entre Religião e Política
Recentemente, o jornalista Bruno Barreto compartilhou em suas redes sociais um vídeo que gerou inquietação e debate. O material apresenta o pastor Miranda, líder da Assembleia de Deus, se abstendo de pronunciar o nome de um bairro em Mossoró, denominado Planalto 13 de Maio. Ao invés disso, ele se referiu à localidade como ‘Planalto 12 mais 1’, numa clara alusão à rejeição do número 13, associado ao Partido dos Trabalhadores (PT). Tal atitude, embora infantil, revela uma falta de ingenuidade preocupante.
A postura de Miranda, que se comportou como uma criança mimada, pode ser vista como um desvio de sua própria trajetória e compromisso. Este episódio, embora grave, é apenas um entre muitos que refletem a conexão cada vez mais evidente entre líderes religiosos e a política atual, especialmente em relação ao bolsonarismo.
Outro ponto que chama atenção é o envolvimento do pastor Miranda com o partidarismo político desde o início da gestão de Allyson Bezerra (União Brasil). Ele chegou a manifestar descontentamento com o prefeito quando um candidato seu não foi nomeado para uma posição na direção do Colégio Evangélico, que hoje é a Escola Municipal Maurício Fernandes. Essa situação se torna ainda mais curiosa quando observamos que, após suas queixas, o filho de Miranda, Wendell, foi indicado para cargos na administração municipal.
Após essa ‘cortesia’ política, o pastor parece ter perdido o senso crítico, fazendo reclamações sobre políticos que não são aliados do prefeito e declarando publicamente que não queria membros do PT em sua congregação. Se uma figura histórica com um passado comunista voltasse a interagir com sua comunidade hoje, provavelmente enfrentaria restrições na igreja de Miranda.
Uma nova coincidência a ser ressaltada é que o bairro Planalto 13 de Maio é onde Allyson Bezerra cresceu e consolidou sua base política. A recusa em mencionar o número pode estar ligada ao desejo de não desagradar ao prefeito. Contudo, as razões por trás dessa omissão apenas Miranda as conhece e, se necessário, ele pode optar por não revelá-las. No entanto, usar sua influência religiosa para fins políticos-partidários, como parece ser o caso, enfraquece a integridade de sua liderança.
Ademais, o comportamento de Miranda no púlpito carece de um redirecionamento, pois representa um desrespeito à sua posição como líder religioso e uma afronta à história da cidade. Essa mistura de religião e política desafia a essência do que deveria ser a ética em sua liderança. É uma ironia quando a mensagem espiritual se confunde com uma plataforma política.
É fundamental não se confundir críticas à figura religiosa com uma observação ética sobre sua atuação. A sociedade deve estabelecer uma linha clara entre a mensagem religiosa e os interesses partidários, caso contrário, poderemos estar diante de um cenário em que a verdadeira exortação pastoral se perde em meio a um discurso de proselitismo partidário.
