Desvendando a Operação Mederi
No dia 27 de janeiro de 2026, a Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria-Geral da República (CGU), deu início a uma das maiores investigações de corrupção da história recente da administração pública em Mossoró. A operação, batizada de Mederi, culminou na prisão do prefeito Allyson Bezerra (União Brasil), que foi acordado por agentes em seu apartamento no condomínio Ninho, na zona leste da cidade. Esse desdobramento revelou um escândalo relacionado a desvios de recursos destinados à saúde pública por meio de contratos fraudulentos e a não entrega de medicamentos adquiridos pela Prefeitura. Ao longo do mês que se seguiu, novas informações surgiram, reforçando as suspeitas sobre a ligação do prefeito com um esquema criminoso que também envolveu outras prefeituras da região.
A Operação Mederi recebeu autorização do desembargador federal Rogério Fialho, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), e logo se tornou um marco nas investigações sobre a corrupção em Mossoró. Um dos pontos centrais das apurações envolve empresas como a DisMed Distribuidora de Medicamentos e a Drogaria Mais Saúde, associadas a desvios milionários que atingem diretamente o sistema de saúde local. O prefeito Bezerra tem se defendido, afirmando que é alvo de um ‘sistema’ que busca desacreditá-lo. Entretanto, a Polícia Federal possui evidências que podem comprometer sua versão dos fatos.
Os Principais Fatos da Investigação
Até o momento, os investigados foram ligados a uma estrutura criminosa que desviou recursos da saúde pública. O que a PF se refere como a ‘Matemática de Mossoró’ revela detalhes sobre como os valores subtraídos eram distribuídos. Segundo diálogos interceptados, Allyson Bezerra teria recebido 15% de propina, enquanto uma figura mencionada como “Fátima” detinha 10% do montante. Além dele, o vice-prefeito Marcos Bezerra (União Brasil) também aparece como um dos principais envolvidos no esquema. A investigação sugere que o dinheiro desviado seria direcionado a campanhas eleitorais do prefeito e do vice-prefeito.
Almir Mariano, ex-secretário da Saúde e atual titular da Secretaria de Programas e Projetos, também é um nome frequentemente associado ao esquema. Em um dos locais revistados pela PF, foi encontrada uma quantia significativa em espécie, totalizando R$ 57.500,00, distribuídos em diversas mochilas e gavetas. A atual secretária de Saúde, Morgana Dantas, figura como intermediária na operação, garantindo as condições para o funcionamento da atividade criminosa.
Desdobramentos e Revelações
Um dos pontos mais alarmantes das investigações foi a descoberta de que uma conta bancária, supostamente em nome de uma estudante menor de idade, estava sendo utilizada para lavar dinheiro do esquema. Essa conta pertence à filha de Oseas Monthalggan, um dos sócios da DisMed, e Roberta Ferreira Praxedes da Costa, que também é sócia da Drogaria Mais Saúde. Entre julho de 2022 e junho de 2023, essa jovem recebeu aproximadamente R$ 427 mil, o que levantou sérias questões sobre a origem dos fundos.
Além disso, a Polícia Federal identificou que os desvios podem ter somado até R$ 13,5 milhões, com a DisMed sendo uma das principais beneficiárias. Estima-se que Allyson Bezerra teria recebido mais de R$ 2,2 milhões apenas em propinas relacionadas a contratos com a empresa investigada. Em 2025, a gestão Bezerra adquiriu cerca de 8 milhões de comprimidos para o tratamento da hipertensão arterial, intensificando o foco da PF nas práticas de aquisição de medicamentos.
Dois servidores públicos, vinculados ao gabinete de Allyson, também são investigados por terem recebido mais de meio milhão de reais da DisMed. Essa informação foi prontamente negada pela defesa, que alega que não há qualquer ligação entre os envolvidos e o prefeito.
Conclusão
Passados um mês desde o início da Operação Mederi, a situação permanece tensa, com desdobramentos que podem afetar diretamente o futuro político de Allyson Bezerra. A investigação continua, e a Polícia Federal segue em busca de mais evidências que possam esclarecer a complexidade deste esquema de corrupção que explora recursos públicos essenciais para a saúde da população. À medida que novos elementos se tornam públicos, a sociedade aguarda respostas urgentes sobre a responsabilização dos envolvidos e a transparência no uso dos recursos destinados ao bem-estar da comunidade.
