Mossoró em Primeiro Lugar nos Gastos com Festas
No estado do Rio Grande do Norte, um fenômeno curioso tem chamado a atenção: enquanto vários municípios lutam para manter serviços essenciais funcionando, os gastos com festas e shows pagos com dinheiro público continuam crescendo. Um levantamento recente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) indica que as prefeituras já investiram mais de R$ 192 milhões na contratação de bandas e artistas em 2025. As informações foram divulgadas em uma matéria do g1.
Os dados estão disponíveis no Painel Festejos, uma plataforma que monitora as despesas relacionadas a eventos custeados pelos cofres municipais. Até agora, foram registrados 2.363 contratos, um número que pode aumentar, já que nem todos os eventos realizados no estado foram cadastrados ainda. Grandes celebrações de final de ano, como o tradicional Natal em Natal, ainda não estão contabilizados no sistema oficial.
Recursos Investidos em Apresentações Artísticas
Entre todas as cidades do estado, Mossoró se destaca como a campeã em investimentos com apresentações artísticas, o que levanta debates sobre a priorização de recursos. Somente neste ano, o município destinou impressionantes R$ 25,7 milhões para shows públicos, sendo a maior parte desse montante voltada para o famoso Mossoró Cidade Junina, que se consagrou como uma vitrine política e cultural.
Os cachês pagos aos artistas são bastante expressivos. O cantor Wesley Safadão, por exemplo, recebeu R$ 1,1 milhão por uma única apresentação em Mossoró. Em uma posição semelhante, Luan Santana embolsou R$ 985 mil em sua performance. Esses valores contrastam fortemente com os desafios enfrentados por áreas como saúde, infraestrutura e assistência social na região.
Natal e Outros Municípios Também Gastam Alto
A capital potiguar, Natal, não fica muito atrás e ocupa a segunda posição no ranking de gastos, com R$ 18,6 milhões desembolsados até o momento. Curiosamente, o show mais caro na capital também foi de Luan Santana, que recebeu a mesma quantia que foi paga em Mossoró.
Esses dados revelam uma tendência preocupante: em tempos de crise, a resistência em investir maciçamente em eventos de entretenimento pode ser vista como uma forma de escapar das dificuldades sociais, porém suscita um questionamento sobre o futuro das prioridades orçamentárias. À medida que os números continuam a crescer, a sociedade se questiona: até que ponto esses investimentos são sustentáveis e benéficos para a população como um todo?
