Operação Mederi e a Aquisição de Medicamentos
Um recente levantamento realizado pelo Diário do RN, com dados do Portal da Transparência, revelou que a Prefeitura de Mossoró adquiriu cerca de 8 milhões de comprimidos destinados ao tratamento da hipertensão arterial no ano de 2025. Esse número se refere à quantidade física de unidades compradas, sem considerar o valor financeiro das transações realizadas pelo município. Curiosamente, a alta quantidade de medicamentos adquiridos, aliada à entrega mínima ou até mesmo à não entrega dos mesmos, motivou a investigação da Polícia Federal que resultou na operação Mederi. Esta operação foi deflagrada na residência do prefeito Allyson Bezerra (UB) e em outras prefeituras na última terça-feira (27).
Entre os medicamentos adquiridos estão atenolol, losartana, enalapril, captopril, hidroclorotiazida e anlodipino. Esses remédios são amplamente utilizados na rede pública de saúde para o controle da pressão arterial. No total, foram registradas 7.588.000 unidades de comprimidos. Esta análise é baseada em informações disponibilizadas pelo Portal da Transparência da Prefeitura de Mossoró.
Medicamentos Disponíveis na Farmácia Popular
Os medicamentos mencionados são fornecidos gratuitamente pelo Governo Federal por meio do programa Farmácia Popular, onde os pacientes apenas precisam apresentar uma receita médica para obtê-los. Com uma média de mais de 20 mil comprimidos adquiridos diariamente ao longo do ano, estima-se que esse volume poderia atender cerca de 20 mil pacientes de forma contínua, considerando que cada um consome um comprimido por dia. Vale ressaltar, no entanto, que muitos pacientes utilizam uma combinação de dois ou mais medicamentos.
Conforme os registros públicos, os medicamentos foram fornecidos pela DISMED Distribuidora, a qual foi contratada para fornecer à rede municipal de saúde. Essa distribuidora teve seu nome mencionado na operação da Polícia Federal, que, em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), investiga contratos administrativos relacionados à saúde em municípios do Rio Grande do Norte, incluindo Mossoró, sob a gestão de Allyson Bezerra.
Denúncias de Faturamento Irregular
Nos documentos que fundamentaram a operação Mederi, a Polícia Federal apontou práticas classificadas como “faturamento fantasma”. Esse tipo de prática é caracterizado por pagamentos realizados sem a entrega efetiva dos produtos ou por entregas em quantidades que não correspondem aos valores pagos. Segundo a PF, em casos específicos investigados, a administração pública teria realizado o empenho e o pagamento integral das notas fiscais, mas os medicamentos não teriam sido entregues ou foram enviados em quantidades mínimas.
Além disso, a investigação revelou que esse cenário ocorreu em meio a falhas recorrentes no abastecimento da rede pública de saúde, mesmo com o incremento significativo das quantidades contratadas e pagas. A Polícia Federal identificou indícios de fornecimento inadequado, falhas na execução de contratos e possíveis sobrepreços, o que levou ao cumprimento de mandados de busca e apreensão, incluindo a residência do prefeito de Mossoró.
Andamento das Investigações
Atualmente, as investigações estão em andamento e, até o momento, não há decisões judiciais definitivas sobre as responsabilidades dos envolvidos. Contudo, as informações obtidas até agora fazem parte do conjunto de dados que estão sendo analisados pelos órgãos de controle durante a apuração.
