Uma Nova Fase na Carreira de Kim Kataguiri
Completando 30 anos em 28 de janeiro, Kim Kataguiri, uma das figuras centrais do Movimento Brasil Livre (MBL), não hesita em afirmar que a política é uma verdadeira batalha. O deputado federal, que se destacou durante os protestos que culminaram no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, está prestes a mudar de partido. Ele planeja se filiar ao recém-criado partido Missão, que é ligado ao MBL e liderado por Renan Santos, que já se posiciona como pré-candidato à presidência.
Kataguiri, que conquistou 295.460 votos nas últimas eleições, está em uma encruzilhada política. Além de ser um potencial candidato ao Palácio dos Bandeirantes, ele afirma que não descarta a possibilidade de concorrer a um cargo no Executivo, uma mudança significativa em sua trajetória até então focada no Legislativo.
Política Como Guerra
Em entrevista, Kim enfatiza que não tem a intenção de suavizar seu tom. “Fico satisfeito que uma das principais críticas que recebemos seja a acidez e a agressividade. Para quem não suporta isso, melhor ficar em casa, porque política é guerra”, afirma com firmeza. A preparação para a próxima eleição inclui uma avaliação cuidadosa do cenário, que será feita em julho, junto ao seu partido.
Quando questionado sobre a meta de seu novo partido, o Missão, ele disse que não há um número fixo de deputados a serem eleitos, mas acredita que o mínimo de cinco representantes federais seria um bom início para estabelecer presença nas eleições de 2028 e 2030.
Preferências Eleitorais e Apostas Futuras
Sobre as eleições presidenciais de 2026, Kataguiri não hesita em declarar que seu voto será em Renan Santos. Com relação a uma possível aliança no segundo turno, ele é enfático: “Não trabalhamos com essa hipótese”. A posição é clara, e o apoio a um candidato específico reflete sua estratégia de consolidar a identidade do MBL.
A Relação com os Poderes e a Necessidade de Mudanças
O deputado também abordou suas reflexões sobre a relação entre os poderes, especialmente em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, a Constituição brasileira confere ao STF poderes excessivos, o que pode distorcer a dinâmica legislativa. “O Supremo está legislando em áreas que deveriam ser exclusivas do Executivo e do Legislativo”, critica Kataguiri, que vê na atual estrutura constitucional um desafio para as reformas necessárias.
Ele acredita que é preciso repensar a Constituição de 1988, que, segundo suas palavras, já não atende mais às demandas do país. “Precisamos de uma nova Constituição, que traga elementos de eficiência encontrados em legislações de outros países”, sugere. Para ele, uma Constituição mais enxuta pode ser a chave para reverter a falência do pacto social atual.
Estratégia Disruptiva e Futuro do MBL
Kim Kataguiri defende a continuidade de uma comunicação agressiva e disruptiva, que caracterizou o MBL desde sua origem. Ele não considera uma autocrítica necessária em relação às táticas utilizadas, mesmo em casos polêmicos como o do Queermuseu. “Sempre estivemos em uma guerra assimétrica, com recursos limitados para enfrentar adversários maiores”, argumenta.
Além disso, ele se posiciona claramente contra táticas de desinformação, afirmando que o MBL sempre atuou com verdades, mesmo que a acidez de suas críticas tenha gerado controvérsias. “Se não podemos ser tão agressivos quanto aqueles que promovem corrupção, é melhor ficar em casa”, finaliza Kataguiri, que se mostra preparado para os desafios que virão.
Raio-X de Kim Kataguiri
Nascido em 28 de janeiro de 1996 em Salto (SP) e criado em Indaiatuba (SP), Kim Kataguiri se elegeu deputado nas eleições de 2018 e foi reeleito em 2022. Com uma presença marcante nas redes sociais, conta com 1,9 milhão de seguidores no Instagram, 1,6 milhão no Facebook e 1,5 milhão no TikTok, além de quase 2 milhões de inscritos em seu canal no YouTube. Desde que assumiu seu cargo, acumula 31 faltas na Câmara e é autor de projetos que visam incentivar a produção de chips e criar marcos legais para startups e jogos.
