Uma Revolução na Indústria do Sal Marinho
Pesquisadores do Laboratório de Catálise, Ambiente e Materiais (LACAM) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) fizeram um avanço significativo na produção de sal marinho, adotando um método inovador para remover impurezas do produto final. O estudo, que integra o Programa de Mestrado e Doutorado Acadêmico para Inovação (MAI/DAI), é realizado com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), em colaboração com o Programa de Pós-graduação de Ciências Naturais (PPGCN/UERN) e uma empresa parceira na formação de profissionais altamente qualificados.
A produção de sal marinho envolve várias etapas, desde a captação da água do mar até o beneficiamento final. Em particular, a etapa de lavagem, que ocorre após a cristalização, busca reduzir impurezas como cálcio e magnésio. Tradicionalmente, são utilizados métodos com água doce, salmoura ou água do mar, mas essas práticas podem resultar na dissolução parcial do sal, afetando a qualidade do produto.
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Fonte: amapainforma.com.br
Os pesquisadores da UERN identificaram as limitações desse método e propuseram o uso de zeólitas, minerais conhecidos por sua capacidade de capturar íons indesejados como cálcio e magnésio. Essa abordagem visa não apenas melhorar a qualidade do sal, mas também fortalecer a indústria salineira local.
O Papel das Zeólitas no Processo
O professor Vinícius Caldeira, coordenador da pesquisa, explicou que as zeólitas são aluminossilicatos hidratados com propriedades únicas para capturar íons. “Esses minerais são amplamente utilizados no tratamento de água dura, que possui alta concentração de cálcio e magnésio. Sua aplicação em processos industriais é vasta, pois ajudam a eliminar impurezas de maneira eficiente”, comentou.
A proposta dos pesquisadores é introduzir as zeólitas já na fase inicial da produção, durante a captação da água do mar, utilizando um sistema de filtragem semelhante ao que é empregado no tratamento de água potável. Foram realizados testes com um protótipo de fluxo contínuo que simula esse processo de filtragem.
Durante a experimentação, amostras de água do mar foram coletadas de tanques da empresa parceira e submetidas a análise para quantificar a redução de cálcio e magnésio. Os resultados foram surpreendentes, com uma diminuição aproximada de 35% na dureza da água logo nos primeiros minutos do teste.
Impacto e Futuro da Pesquisa
Essa técnica não apenas evita que os íons de cálcio e magnésio sejam incorporados ao sal durante a cristalização, mas também promete uma melhoria significativa na qualidade do produto final, superando as capacidades dos métodos tradicionais de lavagem. De acordo com os pesquisadores, essa inovação já foi patenteada no INPI (BR 10 2026 0010537), consolidando a UERN como uma referência em pesquisa com potencial de aplicação tecnológica.
O Rio Grande do Norte destaca-se como o maior produtor de sal marinho do Brasil, respondendo por cerca de 95% da produção nacional, conforme o Sumário Mineral Brasileiro da Agência Nacional de Mineração (ANM). Esse setor é crucial para a economia local, contribuindo com aproximadamente 3,5% do PIB do estado e gerando entre 4 a 5 mil empregos diretos. Quando se considera toda a cadeia produtiva, esse número pode chegar a mais de 50 mil, evidenciando a importância social e econômica da indústria salineira. Além disso, a atividade movimenta cerca de R$ 1,5 bilhão anualmente, tendo um papel significativo na arrecadação de impostos na região.
