Acesso à Arte: Garis de Belo Horizonte Conhecem Obras de Renoir em Visita Cultural
Nesta terça-feira, 14 de abril, sessenta garis da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) de Belo Horizonte tiveram uma experiência cultural enriquecedora ao visitar a exposição dedicada ao renomado artista impressionista Pierre-Auguste Renoir, na Casa Fiat de Cultura. Esta é a segunda turma de garis a participar da visita, com uma terceira agendada para este mês. Dos 60 garis presentes, cerca de 40 fazem parte do projeto “Viver e Prosperar”, que visa facilitar o acesso à Educação de Jovens e Adultos (EJA) para os servidores. A visita foi promovida pelo centro cultural como parte das iniciativas do projeto.
A exposição celebra os 20 anos da Casa Fiat de Cultura e apresenta 11 obras de Renoir, além de uma escultura. “Essas obras, que estão aqui pela primeira vez, são praticamente desconhecidas do público, pois nunca saíram de São Paulo e estavam guardadas na reserva técnica do MASP,” explica Ana Vilela, gestora de cultura da Casa Fiat.
A visita guiada foi conduzida por Bárbara Lempp, museóloga e historiadora da arte, que é responsável pela acessibilidade e inclusão no espaço cultural. Bárbara descreve seu papel como uma “tradução” das obras para o público. “É uma grande honra receber um público tão diversificado. A arte é de todos, e meu maior prazer é compartilhar o que sei com outros,” afirma.
Durante a visita, Bárbara fez uma introdução à vida e à obra de Renoir, o que gerou uma série de perguntas dos participantes. “Um dos questionamentos que surgiram foi sobre a ausência de representações de pessoas negras nas obras. Eu gosto de abordar o contexto histórico por trás dessas questões, que vai além da pintura,” revela.
Após a introdução, os garis tiveram a oportunidade de explorar a exposição, tirando fotos e registrando o momento com entusiasmo. Maria Adelaide Caldeira, de 59 anos, expressou sua emoção: “Nunca havia visitado este espaço, e estou achando tudo muito importante. Ver esses quadros que eu costumava ver nos livros é uma experiência incrível.”
Outro participante, Raimundo Coelho, de 68 anos, que trabalha na SLU há 47 anos, comentou: “Nunca imaginei que teria a chance de conhecer um lugar tão maravilhoso. Às vezes, só vemos esses lugares na TV, mas não sabemos como visitá-los.” Muitos dos garis relataram que não conheciam a Casa Fiat, que fica perto da Praça da Liberdade, no Centro de Belo Horizonte, nem sabiam que havia exposições de arte gratuitas. “Espero que eles se sintam bem-vindos e que voltem com suas famílias, pois a casa é de todos,” declarou Ana Vilela.
Regina Rocha, de 62 anos, prometeu retornar com seus filhos e netos. “Fiquei muito impressionada. Trabalhei aqui perto há muitos anos e não sabia que esse lugar existia. Espero trazer minha família para conhecer,” afirmou.
Uma Conexão entre Arte e Educação
A visita dos garis à Casa Fiat também está inserida no projeto “Viver e Prosperar”, que foi lançado em outubro do ano passado, focando no acesso à Educação de Jovens e Adultos. Dos 60 participantes da visita, 40 estão matriculados nas turmas da EJA, que foram introduzidas no ambiente de trabalho. Antes da visita, alguns professores já começavam a abordar a história de Renoir em sala de aula para preparar os alunos.
O projeto de EJA oferece três horas de aulas diárias, de segunda a quinta-feira, nas gerências regionais de limpeza urbana, permitindo que os trabalhadores estudem durante seu horário de trabalho. “Facilitamos o acesso à educação para aqueles que, após um dia cansativo, muitas vezes encontravam dificuldades para frequentar a escola,” explica Amanda de Jesus Souza, gestora do Comitê de Gestão Estratégica da SLU-BH.
A história de Maria Adelaide é um reflexo das dificuldades enfrentadas por muitos que desejam estudar. “Tentei voltar a estudar várias vezes, mas nunca consegui por conta do cansaço,” conta. Regina Rocha, que parou na quarta série, também relatou sua satisfação em retomar os estudos: “A educação é fundamental e eu amo aprender. Voltar a estudar tem sido muito bom para mim.”
Raimundo Coelho complementa: “O conhecimento é essencial. As oportunidades atuais são diferentes das que tivemos no passado, e agora estamos aproveitando ao máximo.” Atualmente, existem quatro turmas de EJA em funcionamento, e a Prefeitura de Belo Horizonte planeja abrir mais duas ainda este ano. Essa iniciativa não apenas promove a educação, mas também incentiva a apreciação da arte e da cultura entre os trabalhadores da cidade.
