Porto de Natal como novo polo exportador de animais vivos
A recente habilitação do Porto de Natal para a exportação de animais vivos representa uma oportunidade significativa para o agronegócio do Rio Grande do Norte. Segundo o secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Pesca, Guilherme Saldanha, essa autorização, concedida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), pode movimentar até R$ 2 bilhões na economia local nos próximos anos, impulsionando a atividade agropecuária regional.
Em entrevista à rádio Jovem Pan News Natal, Saldanha destacou que o estado possui vantagens logísticas e geográficas que o posicionam como um novo polo exportador para o mercado internacional, especialmente para países árabes. A proximidade com os principais destinos internacionais reduz os custos operacionais em comparação com outros centros exportadores brasileiros, aumentando a competitividade potiguar.
Vantagens geográficas e operacionais do Porto de Natal
Atualmente, o Pará domina cerca de 70% das exportações brasileiras de animais vivos, seguido pelo Rio Grande do Sul e São Paulo. No entanto, a localização do litoral potiguar proporciona uma vantagem relevante, reduzindo o tempo de viagem para os principais mercados. O secretário explicou que o Rio Grande do Norte está a menos de três dias em relação ao Pará, mais de sete dias em comparação a São Paulo e cerca de dez dias ou mais para o Rio Grande do Sul.
Além da localização estratégica, o Porto de Natal oferece características operacionais favoráveis. Diferentemente dos terminais em mar aberto, o porto está situado no estuário do Rio Potengi, o que garante maior estabilidade para o embarque dos animais, minimizando riscos logísticos e aumentando a segurança das operações.
“É um porto calmo para embarcar e desembarcar. O navio fica protegido dentro do rio, o que facilita muito uma operação com animais vivos”, ressaltou Saldanha. A estrutura portuária ainda possui capacidade para absorver essa nova atividade, que deve se somar à movimentação tradicional de frutas, principal carga do porto atualmente.
Preparação e expectativas para as exportações
A autorização do Mapa veio após inspeções do Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), que comprovou o cumprimento das exigências sanitárias, estruturais e operacionais para transportar animais vivos. Com isso, o Porto de Natal poderá embarcar bovinos, ovinos, equinos e suínos para o mercado externo.
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O governo estadual prevê a primeira operação nas próximas semanas, com uma carga inicial de aproximadamente 3.300 bovinos destinados ao Líbano, em uma ação piloto. O Rio Grande do Norte conta com duas Estações de Pré-Embarque (EPEs) credenciadas pelo Ministério da Agricultura, localizadas em Alto do Rodrigues e São Gonçalo do Amarante.
Saldanha revelou que a preparação para essa nova frente comercial começou há cerca de dois anos, com a participação de importadores internacionais na Festa do Boi de 2024. Desde então, o governo trabalhou para superar barreiras sanitárias e operacionais, culminando na habilitação do Porto de Natal para exportação de gado vivo.
Impactos econômicos e oportunidades para o RN
O mercado internacional mais interessado na compra de animais vivos é o Oriente Médio, onde questões religiosas influenciam o consumo de proteína animal. Segundo o secretário, muitos compradores preferem importar os animais vivos para realizar o abate conforme os rituais da certificação halal, exigência para mercados muçulmanos.
O Brasil, maior exportador mundial de proteína animal, movimentou entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões com exportação de animais vivos em 2025, com projeção de crescimento de 40% para este ano. Para 2026, a previsão é exportar cerca de 1,8 milhão de cabeças de gado.
O objetivo do governo potiguar é conquistar inicialmente 15% desse mercado. “Queremos garantir uma fatia significativa desse negócio para o Estado, podendo movimentar até R$ 2 bilhões na economia local”, afirmou Saldanha.
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Além do valor da venda dos animais, a atividade deve gerar demanda para serviços de transporte, alimentação, assistência veterinária, logística, armazenamento e infraestrutura de quarentena. Isso deve impulsionar setores diversos, criando uma cadeia produtiva robusta ao redor da atividade.
Empresários locais e investidores de outras regiões já demonstram interesse em ampliar estruturas de pré-embarque e confinamento para atender a essa nova demanda, o que reforça o potencial de crescimento do setor.
Relevância estratégica para a economia potiguar
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec) também enxerga a habilitação como um marco para a diversificação econômica do Rio Grande do Norte. O secretário-adjunto Hugo Fonseca destacou que o credenciamento fortalece a cadeia produtiva da agropecuária e posiciona o estado numa rota estratégica do comércio internacional.
“Essa habilitação coloca o Rio Grande do Norte em posição estratégica na rota internacional do agronegócio, reforçando o potencial do Nordeste como fornecedor global de produtos agropecuários”, afirmou Fonseca.
O governo estadual espera que a nova atividade aumente a movimentação do Porto de Natal, fomente a geração de empregos e atraia investimentos tanto para a pecuária quanto para os serviços associados ao agronegócio, consolidando uma fonte sustentável de receitas para a economia do Rio Grande do Norte.
