Contradições na Política Potiguar
A política do Rio Grande do Norte se vê, em 2026, novamente diante de uma velha tentação: apresentar como inovações práticas que acabam por reciclar antigos arranjos de poder. O foco desta análise é o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, cuja trajetória política tem gerado discussões acaloradas a respeito de suas decisões e alianças.
Allyson Bezerra, ao longo de sua carreira, construiu uma base sólida apoiando-se em políticas públicas voltadas para a educação, como o IFRN. Sua vitória em 2020 sobre uma oligarquia local foi considerada um marco, representando uma ruptura significativa no cenário político da região. Contudo, esse momento de glória parece cada vez mais distante à medida que reanalisamos sua trajetória.
Da Ruptura à Convivência com o Tradicionalismo
A partir de 2023, Allyson Bezerra decidiu se integrar ao campo político liderado por José Agripino Maia, filando-se ao União Brasil. Essa mudança estratégica o fez adentrar o núcleo tradicional da política potiguar, fazendo com que o “menino que desafiou o coronelismo” se visse, progressivamente, convivendo com os mesmos que outrora desafiou.
Atualmente, seu palanque é composto por setores historicamente dominantes no estado, o que gera uma contradição aos olhos do eleitorado. Como pode alguém que se apresentou como opositor a um sistema tão arcaico agora se beneficiar dele? Tal situação levanta questionamentos pertinentes sobre a veracidade do discurso de “perseguição dos poderosos”. Ao contar com o apoio das principais famílias políticas do Rio Grande do Norte, Allyson Bezerra não é a vítima do sistema; ele é parte integrante dele.
Investigações e Questões Administrativas
Recentemente, investigações da Polícia Federal sobre contratos na área da Saúde trouxeram à tona novos elementos de preocupação. Embora exista o direito à defesa e a presunção de inocência, é importante ressaltar que uma investigação não deve ser utilizada como ferramenta de marketing político ou como instrumento de vitimização.
Na mesma linha, é interessante observar que setores da direita bolsonarista também têm apresentado candidaturas que são marcadas por controvérsias e decisões administrativas que suscitam dúvidas. Nesse cenário, a população se vê confusa, sem saber a quem realmente confiar.
A Governabilidade em Questão
Enquanto isso, o governo Fátima Bezerra, respaldado por Luiz Inácio Lula da Silva, continua a ser rotulado como “ingovernável”, mesmo apresentando indicadores que superam os das gestões anteriores. Essa narrativa, no entanto, parece ter mais a ver com a polarização política do que com a realidade da administração pública.
O eleitor, diante de tantas opções, não pode ser levado a fazer escolhas baseadas em falsificações da realidade. O desafio que se coloca para 2026 é profundo: optar entre a aparência e a realidade, entre o marketing e os projetos concretos, entre acordos espúrios e um verdadeiro compromisso com o desenvolvimento.
Um Chamado à Responsabilidade Política
O Rio Grande do Norte clama por menos salvadores da pátria e mais governantes que assumam responsabilidades com honestidade. O futuro da política na região depende de uma escolha consciente por parte dos eleitores, que devem estar atentos às verdadeiras intenções de seus candidatos.
Assim, ao analisarmos a trajetória de Allyson Bezerra e suas recentes alianças, é vital refletirmos sobre o que realmente desejamos para o futuro político do nosso estado. Que as escolhas feitas em 2026 sejam guiadas não pela retórica vazia, mas por um comprometimento genuíno com os anseios da população.
