Transformação Digital na Saúde e Segurança Ocupacional
A digitalização da Segurança e Saúde no Trabalho (SST) tem se tornado um marco transformador dentro do setor. Tecnologias como inteligência artificial (IA), big data e telemonitoramento contínuo estão sendo cada vez mais integradas às rotinas diárias, mudando drasticamente a forma como os riscos são detectados e prevenidos.
Um estudo realizado pela KPMG em parceria com a FESAÚDE-SP e o SindHosp, publicado em outubro de 2024, revela que o uso intensivo de big data e IA na área da saúde já está gerando avanços significativos. A pesquisa aponta que 67% das fontes pagadoras e 58% dos prestadores de serviços de saúde identificam a falta de conhecimento técnico como um dos principais obstáculos, mas todos os setores entrevistados reconhecem a IA como uma aliada essencial na promoção da saúde e na prevenção de doenças. Entre os benefícios destacados, estão a redução do tempo de espera para pacientes (62%), o aumento da satisfação com os serviços (52%) e a melhoria na precisão dos diagnósticos (78%). Esses resultados evidenciam que a transformação digital, apoiada por tecnologias como big data e IA, é crucial para aumentar a eficiência operacional e a qualidade do atendimento.
“Os dados em tempo real permitem que os riscos sejam identificados antes que se tornem acidentes. Com sensores, inteligência artificial e big data, é possível monitorar continuamente as condições de trabalho, antecipar falhas e agir rapidamente. Isso transforma a prevenção em um processo contínuo, reduzindo afastamentos e custos, além de melhorar a produtividade”, explica Adalberto Teobaldo, especialista e conselheiro da Associação de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional (AGSSO).
Avanços e Desafios Regulamentares
Uma análise publicada na Revista Brasileira de Saúde Ocupacional aponta que essas novas tecnologias possibilitam análises mais precisas e abrangentes, favorecendo a tomada de decisões e a redução de custos relacionados à saúde do trabalhador, ainda que os percentuais exatos possam variar conforme a aplicação e o contexto. No entanto, Teobaldo ressalta que o setor enfrenta desafios regulatórios persistentes. A implementação do PPP Eletrônico e do eSocial melhorou a integração de dados, mas ainda existem lacunas em relação aos exames ocupacionais que são realizados digitalmente.
A expectativa é que até 2030, os debates regulatórios incluam o telemonitoramento contínuo, a integração com programas de bem-estar corporativo e indicadores de liquidez para mitigar riscos sistêmicos. Estudos recentes, conforme apontado pelo portal Sistema Escudo, indicam que a SST está se direcionando para um modelo preditivo, suportado por inteligência artificial e análise de big data. De acordo com o levantamento da KPMG, a integração de sistemas digitais possibilita maior precisão clínica e contribui para a sustentabilidade financeira das instituições de saúde.
O Futuro da SST e Sustentabilidade
Os relatórios sobre a evolução das Normas Regulamentadoras (NRs) enfatizam que o futuro da SST exigirá uma maior integração com os indicadores de Environmental, Social and Governance (ESG), abrangendo riscos psicossociais e a resiliência climática como componentes fundamentais da gestão ocupacional. Esses dados sublinham a importância de a regulamentação acompanhar a evolução das tecnologias emergentes, assegurando segurança jurídica e eficiência operacional tanto para empresas quanto para trabalhadores.
“A inserção de tecnologia aproxima o Brasil dos padrões globais de assistência ao trabalhador. Através da inteligência artificial, big data e do telemonitoramento, podemos oferecer um acompanhamento personalizado e eficiente, semelhante ao que já é praticado em países desenvolvidos. Isso garante maior proteção, diminui os afastamentos e fortalece a confiança dos trabalhadores, posicionando o país competitivamente no cenário internacional”, finaliza Antonio Martin, presidente da AGSSO.
