Desafios na Pré-Campanha de Allyson Bezerra
A pré-candidatura de Allyson Bezerra ao Governo do Estado do Rio Grande do Norte está longe de ser um mar de rosas, apesar da aparente força política mostrada pelos números das eleições municipais de 2024. No primeiro ato público da sua campanha, as expectativas de apoio se mostraram, na verdade, bastante moderadas. O União Brasil, PP, PSD, MDB e Solidariedade, juntos, elegeram um total de 114 prefeitos no estado, um número que deveria consolidar um projeto majoritário forte. Contudo, esse potencial ainda carece de tradução em apoio visível e disposto a se manifestar.
Um exemplo claro dessa situação é o MDB, partido do vice-governador Walter Alves, que conquistou 45 prefeituras e atualmente mantém relações estáveis com a administração da governadora Fátima Bezerra, do PT. A ruptura entre Walter e a governadora, que foi necessária para apoiar a candidatura de Allyson, não se refletiu nas bases municipais. Prefeitos têm mostrado um comportamento pragmático: onde há governo, há convênios; onde há orçamento, há vitalidade administrativa.
Essa falta de alinhamento ficou evidente no recente lançamento da pré-candidatura. Menos de 20% dos prefeitos dos cinco partidos aliados estiveram presentes no evento, o que não pode ser interpretado como uma simples questão de compromissos na agenda. A ausência de tantos prefeitos indica uma cautela política que, em muitos casos, é sinônimo de cálculo de risco.
Impactos da Operação Mederi
Os bastidores da política potiguar estão carregados de uma leitura consensual: a Operação Mederi, que investiga um esquema de fraudes no setor da saúde, prejudicou bastante o ânimo inicial em torno da candidatura de Allyson Bezerra. A investigação, que atinge diretamente o prefeito de Mossoró — uma figura central do caso —, elevou consideravelmente os custos políticos para aqueles que se aproximam do pré-candidato. Prefeitos estão cientes de que a imagem também pesa nas eleições, especialmente em um contexto de forte vigilância institucional.
Contudo, isso não significa que Allyson esteja totalmente isolado. A dinâmica política pode mudar rapidamente. Se o pré-candidato conseguir driblar o noticiário negativo sem novos desdobramentos complicadores, é possível que consiga reverter essa situação e conquistar parte do apoio perdido. No entanto, por ora, a mensagem é clara: muitos estão hesitantes.
Reações e Movimentações no Cenário Político
A governadora Fátima Bezerra, por sua vez, fez um balanço das ações do Executivo Estadual em 2025 e discutiu o planejamento para 2026 durante a leitura da mensagem governamental na Assembleia Legislativa, reafirmando sua pré-candidatura ao Senado e a de Cadu Xavier ao governo. “Estou de pé no chão, tranquila e preparada para o debate político neste ano eleitoral”, destacou Fátima.
Por outro lado, o vice-governador Walter Alves não compareceu à leitura da mensagem, o que pode ser um sinal de tensão nas relações políticas atuais. Enquanto isso, José Augusto, prefeito de Portalegre e membro do União Brasil, se prepara para assumir a presidência da Federação dos Municípios do RN em março, sucedendo Babá Pereira, que se afastará para concorrer a vice-governador.
Análises e Expectativas Futuras
O atual cenário também traz à tona outras figuras da política local. Marianna Almeida, prefeita de Pau dos Ferros, deixou de lado rumores de uma possível parceria com Cadu Xavier e apareceu no evento de lançamento da pré-candidatura de Allyson. O clima de incerteza é palpável, e todos parecem estar atentos aos movimentos de seus adversários.
Cadu Xavier expressou sua surpresa com a ausência de Marianna em seu palanque, ressaltando que a responsabilidade das escolhas é individual e que aqueles que estão mudando de posição devem justificar suas decisões perante os eleitores. “Nossas convicções permanecem”, afirmou o pré-candidato.
Por fim, a governadora Fátima Bezerra encerrou, no Centro de Convenções de Natal, o Curso de Formação Profissional de 367 novos integrantes da Polícia Civil, um passo importante para o fortalecimento da segurança pública no estado, em um ano marcado por aspectos fundamentais para o futuro político do Rio Grande do Norte.
