A Imagem e a Sensação de Nostalgia
No último fim de semana, o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), decidiu se deslocar para Natal em busca de um novo fôlego político. Após ser impactado pela operação da Polícia Federal e Controladoria-Geral da União (CGU), a estratégia era clara: criar um “fato novo”. Contudo, o que ele trouxe para as redes sociais foi uma polêmica foto, é isso mesmo, uma foto que carrega um peso histórico.
Na casa de praia do deputado Hermano Morais, que recentemente trocou o PV pelo MDB, Allyson posou ao lado dos nomes proeminentes das oligarquias Maia e Alves, entre eles Agripino Maia, João Maia, Zenaide Maia e Walter Alves. Este grupo, reconhecido como as figuras centrais das duas mais tradicionais oligarquias políticas do Rio Grande do Norte, há muito tempo foi colocado de lado pelo eleitorado.
Um Legado Político em Declínio
A última vez que membros dessas oligarquias alcançaram uma vitória em uma eleição majoritária foi em 2010, quando Agripino e Garibaldi Alves Filho, pai de Walter, conseguiram reeleger-se ao Senado. Desde então, as derrotas têm sido sucessivas.
Em 2014, a chapa composta por Henrique Alves e João Maia não conseguiu conquistar o governo. Em 2018, Agripino e Garibaldi também falharam em renovar seus mandatos no Senado, com Agripino, inclusive, não conseguindo se eleger como deputado federal. O ano de 2022 trouxe mais desilusões, com Garibaldi sendo rejeitado para a Câmara dos Deputados e Agripino optando por não se candidatar.
Walter Alves foi o único a escapar da onda de rejeição, graças ao apoio do PT, que o incluiu como vice da governadora reeleita, Fátima Bezerra. Essa realidade levanta uma pergunta intrigante: o que leva o prefeito Allyson Bezerra a acreditar que o povo deseja a volta ao poder dessas oligarquias?
Um Discurso em Contradição
É relevante recordar que enquanto os potiguares estavam “aposentando” os Maias e Alves, Allyson estava iniciando sua carreira política com um discurso contundente contra essas mesmas figuras, apresentando-se como um defensor da mudança. “Alves, Maia e Rosado representam um acordo político com o fim de eleger seus familiares e aliados, sem se importar com a população”, afirmou. Agora, a questão que fica é: quem realmente mudou? Seriam as oligarquias ou o próprio Allyson Bezerra?
Pressão e Expectativas
A situação política se complica ainda mais para Allyson, que precisa lidar com as investigações da Polícia Federal relacionadas à Operação Mederi, que apontam sua suposta ligação a um esquema criminoso na saúde pública. Na casa de praia, não houve nenhuma manifestação de inocência em relação às acusações, e a expectativa é que o prefeito se defenda das investigações para solidificar seu apoio entre os Maia e Alves.
As alegações feitas pela Polícia Federal são graves, colocando Allyson no centro de uma suposta organização criminosa. Embora uma narrativa de vitimização possa suavizar um pouco a reação pública, isso não resolve os problemas substanciais que ele enfrenta.
Silêncio e Consequências
Uma semana após as revelações da operação, nenhuma ação rigorosa foi tomada pelo prefeito. Ele não afastou a secretária de Saúde, Morgana Dantas, o que levanta questionamentos sobre sua disposição em construir sua defesa fora do cargo. O que será que está por trás dessa hesitação?
Além disso, o tema Comissão Especial de Inquérito (CEI) se tornou proibido entre os aliados de Allyson. A determinação é clara: qualquer um que assinar um pedido para investigar o esquema de desvio de verbas terá que renunciar a seus cargos.
Pré-Candidaturas e Lamentações
No cenário político do Rio Grande do Norte, duas novas vozes estão se levantando como pré-candidatas à presidência: Pastor Heró, de Mossoró, pelo partido ORDEM, e Samara Martins, do UP, que, apesar de ter nascido em Minas Gerais, vive em Natal há 15 anos.
Por fim, uma nota de pesar: faleceu o professor Sávio Marcellus, aos 61 anos, um educador querido que deixou um legado significativo em diversas áreas. A sua partida é sentida por todos que tiveram a oportunidade de conhecê-lo.
