Uma Nova Estratégia Política no RN
O deputado estadual Kleber Rodrigues deu um passo significativo ao manifestar, nesta semana, apoio a Allyson Bezerra (União Brasil) para o Governo do Rio Grande do Norte, enquanto também sinaliza aliança com Fátima Bezerra (PT) na corrida pelo Senado. Essa movimentação pode ser vista como uma estratégia ousada que desafia o cenário de polarização política no estado. Mas essa não é apenas uma escolha isolada – trata-se de um indício de que novas alianças podem surgir.
A combinação de apoio a dois candidatos de diferentes espectros ideológicos é um reflexo direto do que já se observou durante as eleições de 2022. Naquela ocasião, muitos prefeitos potiguares escolheram votar em uma chapa “casada”, que uniu Fátima Bezerra, então candidata à reeleição, e Rogério Marinho (PL), um representante da ala bolsonarista. Essa estratégia, à primeira vista contraditória, foi impulsionada por um cálculo pragmático que colocou interesses locais à frente da polarização nacional.
Essa lógica municipalista, com suas particularidades, se impôs sobre a narrativa binária predominante no debate político brasileiro, permitindo que se formassem alianças inesperadas. O fenômeno evidenciou que, em algumas situações, a necessidade de governabilidade e a busca por soluções pragmáticas podem sobrepor-se aos ideais partidários. A governadora Fátima Bezerra, por exemplo, já sinalizou que sua prioridade será a candidatura ao Senado, enquanto Allyson Bezerra, atual prefeito de Mossoró, concentra esforços na busca pela sucessão governamental.
Esse cenário levanta questões sobre a eficácia da cobrança ideológica em um contexto em que a pragmática política parece dominar. Afinal, na prática, as alianças podem ser mais relevantes do que a coerência partidária em um quadro eleitoral tão fragmentado.
Ainda que essa movimentação traga à tona o debate sobre as alianças políticas no Rio Grande do Norte, um especialista que comentou o assunto sob condição de anonimato destacou que o apoio de Kleber Rodrigues a esses dois candidatos pode ser o início de um novo padrão para as eleições estaduais. “Estamos vendo uma reconfiguração das forças políticas e uma busca por alternativas que atendam aos interesses locais. É preciso observar como essas articulações irão se desenrolar nos próximos meses”, afirmou.
A expectativa agora gira em torno de como essas alianças se consolidarão até a proximidade das eleições. A estratégia de unir forças em nome de uma governabilidade mais efetiva pode se tornar um padrão, desafiando as narrativas tradicionais que dividem o eleitorado em campos opostos. No fundo, a política é um jogo de alianças e, neste cenário, tudo é possível!
