Desafios e Críticas à Saúde Pública
Desde 2011, ano em que a ex-governadora Rosalba Ciarlini assumiu o governo do estado, a saúde pública tornou-se um alvo frequente de críticas por parte da oposição. Naquele período, a atenção se voltou para a gestão da saúde, destacando as deficiências de um sistema já enfraquecido. O Hospital Walfredo Gurgel, um dos maiores do Rio Grande do Norte, foi utilizado como um exemplo das falhas administrativas, com reportagens que ressaltavam as longas filas de atendimento. Essa realidade, no entanto, não é nova. As filas sempre existiram e continuam a ser um desafio, impulsionado pela transferência de pacientes de municípios vizinhos para o hospital.
Ainda assim, a questão não se limita à gestão de um único governo. O Hospital Tarcísio Maia, por sua vez, enfrenta desafios semelhantes. Esta importante unidade de urgência e emergência atende uma vasta região, abrangendo mais de um milhão de pessoas de Mossoró e outros municípios adjacentes, além de localidades da Paraíba e do Ceará. Apesar das críticas, é inegável que o hospital tem um papel vital na salvaguarda de vidas, oferecendo serviços essenciais diariamente.
Política, Saúde e o Jogo de Interesse
Um ponto crítico a ser analisado é a responsabilidade dos gestores municipais em relação à saúde local. Muitos prefeitos priorizam investimentos em eventos e festas, enquanto a saúde de suas comunidades fica em segundo plano. Ao enviar pacientes para hospitais como o Tarcísio Maia e o Walfredo Gurgel, esses gestores acabam transferindo a responsabilidade para o estado, enquanto suas próprias administrações carecem de investimentos significativos na saúde pública. Isso resulta em uma população frustrada que, diante de crises, busca atendimento nos hospitais, colocando à prova a capacidade destas unidades.
Esse ciclo de críticas e responsabilidades é um reflexo da política polarizada, onde quem ataca hoje poderá ser atacado amanhã. Não é apenas uma questão de gestão de saúde, mas uma luta política que afeta diretamente a qualidade de vida dos cidadãos. O secretário de Saúde do Rio Grande do Norte, Alexandre Motta, expressou essa realidade ao afirmar que “quando se quer criticar o sistema de saúde, ataca-se o Tarcísio Maia”. Essa frase ilustra bem como a saúde está no centro das disputas políticas.
Resultados e Desempenho do Hospital
Os dados mais recentes do Hospital Tarcísio Maia são impressionantes. Em 2025, o hospital registrou 5.600 cirurgias, 7.420 internações, 35.047 atendimentos e 7 captações de órgãos para transplantes. Esses números não apenas evidenciam a importância do HRTM no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), mas também assinalam uma gestão que, apesar das dificuldades, tem se esforçado para salvar vidas e atender a população de forma eficaz.
Política e Mobilização Social
No âmbito político, a governadora Fátima Bezerra foi convocada pelo presidente Lula para um evento que marcará os três anos dos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro. A expectativa é que neste evento, Lula também aproveite para assinar o veto ao “PL da Dosimetria”, que propõe a redução das penas do ex-presidente Bolsonaro.
Em Mossoró, partidos de esquerda se mobilizarão para relembrar essa data, promovendo discursos que confrontam ações internacionais, como a postura dos Estados Unidos em relação ao ex-ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. A reunião está agendada para ocorrer na Praça Rodolfo Fernandes, a partir das 15h, refletindo a necessidade de engajamento político e social em tempos de incertezas.
Desafios Futuros e Expectativas
Além das questões políticas e de saúde, a balança comercial do Rio Grande do Norte também merece destaque, fechando 2025 com um superávit recorde, resultado de um crescimento nas exportações. Contudo, a gestão Allyson Bezerra se vê cercada por críticas em relação à saúde, já que mais de 2 mil pessoas aguardam por cirurgias, evidenciando a necessidade de atenção urgente a esse setor.
Em resumo, o Hospital Regional Tarcísio Maia é um símbolo não apenas dos desafios enfrentados pelo sistema de saúde, mas também do complexo jogo político brasileiro. As críticas constantes, embora muitas vezes legítimas, devem ser acompanhadas de ações concretas por parte dos gestores para que a população possa efetivamente contar com um sistema de saúde que funcione. Enquanto isso, o ciclo de críticas e responsabilizações tende a continuar, com impactos diretos na vida dos cidadãos.
