Cerimônia de Recordação no STF
No próximo dia 8 de janeiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) realizará um evento em Brasília para relembrar os atos golpistas ocorridos em 2023, quando apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes. A iniciativa tem como objetivo não apenas marcar a data, mas também discutir as implicações institucionais dessas ações, que clamavam por uma intervenção militar após o resultado das eleições de 2022.
Nomeado “Democracia Inabalada: 8 de janeiro – Um dia para não esquecer”, o evento incluirá atividades culturais e debates ao longo do dia nas dependências do tribunal. A programação terá início na tarde do dia 8 com a abertura da exposição “8 de janeiro: Mãos da Reconstrução”, localizada no Espaço do Servidor do STF. A mostra irá apresentar registros do trabalho de reparação dos danos provocados aos edifícios do Judiciário durante os tumultos.
Em seguida, o Museu do STF receberá a exibição do documentário “Democracia Inabalada: Mãos da Reconstrução”, que abordará os eventos do dia da invasão e a resposta institucional frente a essas ações. O programa ainda contará com uma roda de conversa com jornalistas no museu, onde o foco será a cobertura da imprensa sobre os acontecimentos e seu papel na defesa da democracia. O evento será encerrado no Salão Nobre do STF com a mesa-redonda intitulada “Um dia para não esquecer”.
Reflexão sobre o Contexto Institucional
Em uma cerimônia realizada para rememorar a data em 2024, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, enfatizou que os atos de vandalismo e invasão representam a face visível de um movimento que buscava articular um golpe de Estado. Para o ministro, o ato de recordar esses eventos é um esforço essencial para a preservação da memória institucional e para o enfrentamento do passado recente, que, segundo ele, ainda ressoa nas instituições brasileiras.
Após o resultado das eleições de 30 de outubro de 2022, diversos grupos passaram a clamarem por intervenção militar para evitar a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT). Esse período foi marcado por bloqueios de rodovias e acampamentos em frente a quartéis em várias cidades do país, refletindo um descontentamento que se manifestou de forma crescente.
A escalada da tensão incluiu atos ainda mais alarmantes, como a colocação de um artefato explosivo próximo ao Aeroporto Internacional de Brasília na véspera do Natal, além da invasão de uma delegacia da Polícia Federal. Esse último evento ocorreu após um episódio de queima de ônibus no dia da diplomação presidencial, também na capital federal.
O evento do STF, portanto, não apenas recorda uma data trágica, mas também representa um espaço para reflexão sobre os desafios enfrentados pela democracia brasileira e a importância de proteger as instituições. A iniciativa busca fortalecer a resistência contra qualquer forma de autoritarismo e reafirmar o compromisso com os valores democráticos, essenciais para a convivência pacífica e a estabilidade política do país.
