Rio Grande do Norte adota sistema para controle do cancro cítrico
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) atualizou o status fitossanitário do Rio Grande do Norte em relação ao cancro cítrico, doença que compromete a produtividade e a qualidade comercial de frutas como laranja, limão e tangerina. A mudança retirou o estado da classificação como área sob erradicação e o inseriu no Sistema de Mitigação de Risco (SMR), conforme a Portaria SDA/Mapa nº 1.680 publicada no Diário Oficial da União em 2 de agosto.
Essa alteração indica que o governo federal reconheceu a inviabilidade epidemiológica da erradicação total da doença no território potiguar. A nova estratégia foca no controle da bactéria, minimizando danos e impedindo a disseminação para áreas ainda livres do cancro cítrico.
Medidas para citricultores no novo sistema de controle
O SMR não significa o fim do combate ao cancro cítrico, mas estabelece regras para a produção e transporte das frutas. Os produtores comerciais devem cumprir obrigações como o cadastro dos imóveis rurais, inscrição das unidades produtivas, inspeções periódicas nos pomares e monitoramento constante da doença.
Além disso, práticas de controle durante o ciclo da cultura e a higienização de equipamentos, veículos e materiais são exigidas. A certificação fitossanitária também passa a ser obrigatória para garantir a qualidade da produção.
Essas medidas permitem que a citricultura potiguar siga ativa, mesmo com a presença da bactéria, desde que o risco fitossanitário seja controlado.
Exigências para comercialização interestadual
Para exportar laranjas, limões, tangerinas e outros frutos cítricos para fora do Rio Grande do Norte, os produtores devem atender às normas de certificação fitossanitária. As frutas precisam ser inspecionadas e não apresentar sintomas da doença, além de passar por tratamento higienizante após a colheita.
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O transporte deve ser realizado em veículos fechados ou cobertos para minimizar a disseminação da bactéria. Essas regras abrangem todas as etapas da cadeia produtiva, desde a colheita até o armazenamento, garantindo o acesso do produto potiguar aos mercados nacionais.
Entendendo o cancro cítrico e sua disseminação
O cancro cítrico é causado pela bactéria Xanthomonas citri subsp. citri, que infecta folhas, ramos jovens e frutos de diversas espécies comerciais de citros. Os sintomas mais comuns são lesões salientes e amarronzadas com bordas encharcadas e halos amarelados. Em casos graves, pode causar queda prematura dos frutos e redução da produtividade.
A propagação ocorre principalmente por respingos de chuva combinados com o vento, favorecida por clima quente e úmido. Mudas contaminadas representam uma fonte importante de disseminação a longas distâncias, assim como ferramentas, máquinas, veículos, materiais de colheita, roupas e calçados de trabalhadores.
Ferimentos causados por ventos, granizo ou insetos facilitam a infecção, tornando o controle do minador-dos-citros essencial para reduzir as lesões que abrem caminho para a bactéria.
Manejo preventivo para citricultores do Rio Grande do Norte
Com o novo status, os produtores devem intensificar o manejo preventivo para conter a doença. O uso de mudas certificadas e livres do cancro cítrico é fundamental para evitar a entrada da bactéria em novos pomares.
Inspeções frequentes ajudam a identificar rapidamente plantas ou frutos infectados. A higienização de ferramentas, máquinas, caixas e veículos, além do controle de acesso às áreas produtivas, são medidas indispensáveis.
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Quebra-ventos contribuem para diminuir a velocidade do vento e o alcance dos respingos contaminados, complementando o manejo do minador-dos-citros e fortalecendo a proteção das plantações.
Situação em Rondônia e estratégias diferenciadas
Enquanto o Rio Grande do Norte adota o Sistema de Mitigação de Risco, seis municípios de Rondônia permanecem em regime de erradicação do cancro cítrico, conforme a Portaria SDA/Mapa nº 1.678, também publicada em 2 de agosto. As cidades são Cabixi, Chupinguaia, Corumbiara, Jaru, Rolim de Moura e Seringueiras.
Nessas localidades, o Ministério da Agricultura acredita que a eliminação dos focos é viável por meio de vigilância e controle intensivos. Outros quatro municípios rondonienses já estavam no SMR desde agosto. As demais regiões do estado seguem classificadas como áreas sem ocorrência da doença.
Objetivo das mudanças no controle do cancro cítrico
A atualização das medidas pelo Mapa busca alinhar as ações de defesa vegetal à realidade de cada região. No Rio Grande do Norte, o foco é a convivência controlada com o cancro cítrico, preservando a produção e circulação das frutas com protocolos rigorosos. Em Rondônia, a prioridade segue sendo a erradicação nos municípios afetados.
Para os citricultores potiguares, cumprir as normas do Sistema de Mitigação de Risco é fundamental para reduzir perdas, proteger áreas livres da doença e manter o acesso aos mercados interestaduais.
