Zico retorna a Mossoró para reviver momentos marcantes
Quatro décadas após sua primeira passagem, Zico voltou a Mossoró para relembrar episódios que marcaram sua carreira e a história local. Entre as memórias, está o amistoso de 1985 contra o Baraúnas, um confronto intenso que acabou com vitória por 3 a 2 e um episódio curioso envolvendo um cartão vermelho. A visita, realizada a convite do Sebrae/RN, também foi palco para que o ex-jogador compartilhasse ensinamentos com líderes e empreendedores da região.
O amistoso que ficou na memória e a expulsão polêmica
Naquela partida, Zico anotou um dos gols do Flamengo, mas acabou expulso após um desentendimento com o meia Gelson, do Baraúnas, que também recebeu cartão vermelho. O episódio, longe de apagar a lembrança da vitória, tornou-se parte da narrativa que o craque mantém sobre Mossoró. “Muitos anos atrás eu estive aqui, a gente jogou contra o Baraúnas em jogo amistoso, mas de amistoso não teve muita coisa, não”, comentou, com bom humor, durante coletiva de imprensa.
O público presente no estádio foi destacado por Zico como o maior já registrado em jogos na cidade até hoje. “O torcedor lotou o estádio. É o maior público até hoje de jogos que aconteceram aqui. A gente fica feliz por isso, mesmo eu tendo sido expulso pelo juiz, mas ele também foi expulso, a torcida expulsou ele”, lembrou, arrancando risadas da plateia. Na verdade, o árbitro Francisco Freire reviu a decisão e permitiu que Zico permanecesse em campo, enquanto Gelson precisou ser substituído por Zácone.
Leia também: Zico em Mossoró: 5 Lições de Liderança e Empreendedorismo para Empresários
Fonte: agendapublica.com.br
As águas termais do Thermas e uma conexão com o Japão
A hospedagem da delegação rubro-negra no Thermas de Mossoró também deixou uma marca curiosa na memória de Zico. Os jogadores foram orientados a evitar as piscinas de água quente antes do jogo para não relaxar demais o corpo, mas o local chamou a atenção do craque. “No hotel, a gente não pôde entrar no dia do jogo porque a água quente amolece demais o corpo, mas ficamos admirados com as piscinas todas. Pensei um dia poder voltar, mas não foi possível”, recordou.
Mais tarde, já no Japão, Zico conheceu os tradicionais onsen, os banhos termais japoneses, e percebeu a semelhança com o Thermas de Mossoró. “Depois de anos com a minha presença lá no Japão eu vim saber o que era onsen, aqui é o Thermas. Então eu lembrei e lembro de Mossoró sempre por causa disso”, revelou.
Disciplina, responsabilidade e o valor do coletivo no futebol
Ao refletir sobre sua trajetória, Zico destacou que o talento, embora essencial, não é suficiente para alcançar o sucesso no esporte. Para ele, a disciplina, o comprometimento e a responsabilidade formam a base para transformar habilidade individual em conquistas coletivas. “O objetivo do jogador de futebol são as conquistas, e as conquistas te levam a você a outras muitas coisas. Não é só você que é o importante; são seus amigos, sua família, torcida, são milhões de coisas que ficam felizes quando você consegue atingir o objetivo final”, afirmou.
Leia também: Porto Alegre e a expectativa frustrada pelo primeiro jogo da Seleção Feminina
Fonte: tcheagora.com.br
Leia também: Endrick garante a virada do Brasil contra o Egito em amistoso nos EUA
Fonte: novaimperatriz.com.br
Desde cedo, aprendeu a priorizar o time e a colaboração. “Hoje, a gente vê uma situação muito mais voltada ao individualismo do que propriamente da parte coletiva. Eu sempre fui contra o individualismo. Aprendi desde os meus 13 e 14 anos a importância de jogar para a equipe, fazer o melhor para o seu time, ajudar seus colegas”, ressaltou. Para ele, a liderança se constrói pelo exemplo. “Eu dizia sempre que a minha presença dentro do time era mais fora do campo do que dentro do campo, porque fora do campo era minha conduta ser a grande referência do time. Eu tinha hora para chegar, mas não tinha hora para sair”, completou.
O legado da coletividade no Flamengo e o futuro das gerações
Zico usou o período de maior sucesso do Flamengo como exemplo para mostrar que grandes resultados vêm da união e sintonia da equipe. Ele lembrou que, em seis anos, o grupo conquistou mais títulos do que o clube havia alcançado em toda a sua história, graças à formação sólida de atletas, muitos oriundos da base. “Todos os títulos que eram possíveis ganhar, nós ganhamos porque era um grupo que entendeu”, enfatizou.
O ex-jogador finalizou transmitindo a importância de passar esses ensinamentos para as futuras gerações. “Jamais vai acontecer isso. Por isso, a gente caminha hoje e passa essas informações e momentos para que possa servir, quem sabe, às futuras gerações e futuras atividades”, concluiu, reforçando a relevância da experiência acumulada para o esporte local e nacional.
