Queda significativa no custo da cesta básica em Natal
O mês de julho trouxe alívio para os consumidores natalenses com a maior redução no preço da cesta básica entre as capitais brasileiras. Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostram que o custo caiu 7,95% em comparação a junho, uma queda que representa R$ 54,56 a menos no valor total, passando de R$ 686,07 para R$ 631,51. Essa diminuição coloca Natal como a capital com a terceira cesta mais acessível no Nordeste.
Esse movimento de queda não é isolado: 26 das 27 capitais brasileiras registraram redução nos preços, com exceção de São Luís, que teve aumento de 0,30%. No acumulado dos últimos 12 meses, Natal também lidera a redução entre as capitais, com uma queda de 2,26% entre julho de 2025 e julho de 2026, apesar do aumento de 5,75% observado no acumulado do ano.
Principais produtos que influenciaram a queda
A diminuição do preço da cesta básica em Natal tem como principal fator a queda expressiva no preço do tomate, que recuou 47,36% em julho. Outros itens como óleo de soja (-4,19%), café em pó (-2,53%), farinha de mandioca (-2,04%), manteiga (-2,00%), açúcar cristal (-1,62%), feijão carioca (-1,60%) e carne bovina de primeira (-1,23%) também contribuíram para essa redução.
Por outro lado, alguns produtos tiveram aumento, como o leite integral (5,05%), arroz agulhinha (2,23%) e pão francês (0,46%), enquanto o preço da banana permaneceu estável.
Fatores que influenciam os preços e impactos no consumo
Segundo o economista Ediran Teixeira, supervisor-técnico do Dieese, as capitais do Nordeste, sobretudo Natal, estavam enfrentando uma inflação nos preços do tomate, café e arroz, que se reverteu no último mês. A melhora na produção de açúcar no Rio Grande do Norte também contribuiu para a queda desse item.
Ediran ressalta que a produção de alimentos é marcada pela sazonalidade e impactada não apenas pelas forças do mercado interno, mas também por fatores externos como o mercado internacional, avanços tecnológicos, variações na área plantada e condições climáticas.
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Apesar da queda em julho, a cesta básica acumula alta ao longo do ano devido ao aumento dos preços da carne, banana, leite e feijão, que estavam mais baratos em dezembro de 2025.
Visão especializada sobre a tendência dos preços
Para o economista Helder Cavalcanti, a queda expressiva observada em julho não indica necessariamente uma redução estrutural nos preços dos alimentos. Ele destaca que essa diminuição é influenciada por produtos específicos, especialmente o tomate, conhecido pela volatilidade dos seus preços.
Helder destaca que uma tendência de queda só pode ser confirmada após vários meses consecutivos de estabilidade ou redução nos valores. No entanto, reconhece que essa oscilação traz um alívio imediato para as famílias, que conseguem destinar uma parte maior da renda para outras despesas quando itens essenciais como tomate, arroz, feijão e carne ficam mais baratos.
Percepção dos supermercados e consumidores locais
Gilvan Mikelyson, presidente da Associação dos Supermercados do Rio Grande do Norte (Assurn), confirma que os supermercados da região percebem essa queda nos preços, embora o comportamento não seja uniforme entre todos os produtos e estabelecimentos.
Segundo a Assurn, a redução dos custos tem sido repassada em parte para o consumidor final, em um cenário de forte concorrência entre os supermercados. A entidade avalia que ainda há espaço para manter preços mais acessíveis em alguns produtos, mas não prevê uma queda contínua da cesta básica nos próximos meses.
Na prática, trabalhadores que recebem o salário mínimo de R$ 1.621,00 em Natal precisaram trabalhar 85 horas e 43 minutos em julho para comprar a cesta básica, segundo o Dieese.
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Fonte: aquiribeirao.com.br
Depoimentos que traduzem o cenário econômico local
A aposentada Lucineide Batista Marques, 63 anos, destaca que alguns produtos como arroz, açúcar e farinha de milho flocada estão com preços mais favoráveis, mas que a carne segue cara. Ela ressalta que o frango, ovo, salsicha e empanados ainda são opções com preços razoáveis.
Já a doméstica Josi da Silva, 58 anos, comenta que o preço do leite não subiu de forma exagerada, graças às promoções que ainda conseguem segurar o valor. Ela ressalta a necessidade de pesquisar preços para conseguir economizar diante das oscilações.
Quanto ao tomate, que teve queda de preço em julho, a cozinheira Lenice Soares, 43 anos, comenta que, embora tenha diminuído, o valor ainda está alto devido ao aumento anterior. Ela lembra que já pagou até R$ 11 pelo quilo, mas reconhece que o preço melhorou um pouco com a redução recente.
Resumo das variações dos principais itens da cesta básica em Natal
Em julho, os produtos que tiveram maior queda foram:
- Tomate: -47,36%
- Óleo de soja: -4,19%
- Café em pó: -2,53%
- Farinha de mandioca: -2,04%
- Manteiga: -2,00%
- Açúcar cristal: -1,62%
- Feijão carioca: -1,60%
- Carne bovina de primeira: -1,23%
Por outro lado, alguns itens subiram:
- Leite integral: +5,05%
- Arroz agulhinha: +2,23%
- Pão francês: +0,46%
O preço da banana permaneceu estável.
