Um Chamado à Mobilização contra a Transfobia
Identificar casos de violência como “isolados” frequentemente despolitiza questões maiores e sistêmicas. O assassinato de travestis e mulheres trans no Brasil não é uma exceção, mas uma parte de um ciclo contínuo de exclusão e discriminação. Essa violência se manifesta em várias formas, incluindo a negação de direitos básicos como educação, emprego e liberdade de expressão. A transfobia, portanto, não é apenas um crime físico, mas um processo de morte que começa na negação da dignidade humana.
Esse discurso reacionário é amplamente alimentado por grupos da extrema-direita, desde figuras políticas como a família Bolsonaro até movimentos internacionais, como o de Donald Trump e Javier Milei. A superação desse cenário exige uma política de independência de classe e uma união real entre os setores marginalizados da sociedade.
A Realidade no Rio Grande do Norte
No Rio Grande do Norte, a luta contra a transfobia deve ser entendida dentro do contexto político local. Samira, originária de Mossoró, se tornou um símbolo de resistência em um estado onde as oligarquias tradicionais, como os Alves e Maia, ainda exercem forte influência. Allyson Bezerra, ex-prefeito e pré-candidato ao governo estadual, tem buscado alianças com esses grupos, desmontando qualquer discurso prévio de luta contra as oligarquias.
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A saída de Allyson para concorrer ao governo trouxe Marcos Medeiros, seu vice do Republicanos, para a prefeitura de Mossoró. Este partido, que se alinha a ideais conservadores, também se organizou em torno da candidatura de Allyson. Assim, a morte de Samira não pode ser vista isoladamente, mas sim como um reflexo de um estado onde a direita tenta se consolidar, sustentada por alianças que alimentam o ódio contra grupos vulneráveis.
Números Alarmantes e a Realidade da Violência
De acordo com o Dossiê da ANTRA, em 2025, foram registrados 80 assassinatos de pessoas trans no Brasil, com 77 desses casos envolvendo travestis e mulheres trans. Apesar de uma leve queda em relação aos anos anteriores, a ANTRA alerta que isso não deve ser interpretado como uma melhora, visto que há uma subnotificação significativa e uma clara falta de políticas públicas eficazes. O Nordeste, em particular, se destaca com 47,5% dos assassinatos registrados.
No Rio Grande do Norte, o Dossiê apontou quatro assassinatos de pessoas trans em 2025, colocando o estado entre os mais violentos do país para essa população. Esta realidade não é um fenômeno distante ou abstrato; é uma tragédia que atinge diretamente a vida das pessoas em Mossoró e nas periferias.
Um Chamado à Ação e à Transformação
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Fonte: aquiribeirao.com.br
A sociedade frequentemente se autodenomina “democrática”, enquanto empurra travestis e mulheres trans para situações extremas de sobrevivência. A vida de uma mulher trans, especialmente se ela é pobre e nordestina, parece valer menos que os interesses financeiros e políticos de um sistema que se diz inclusivo. Samira, uma artista, buscava seu lugar ao sol em um mundo que muitas vezes a marginalizava.
A luta por justiça para Samira deve se traduzir em um programa efetivo que assegure emprego digno, cotas nas universidades, moradia, saúde e respeito ao nome social das pessoas trans. Não se trata apenas de esperar por ações do governo; é necessário mobilizar e organizar a sociedade civil em busca de direitos reais.
Enfrentamento à Opresão Sistemática
A transfobia está entrelaçada a uma estrutura social que também marginaliza jovens negros e explora mulheres trabalhadoras. Cada vida perdida deve ser um catalisador para a mobilização coletiva. Assim como a morte de jovens negros gera clamor nacional, a morte de cada travesti ou mulher trans deve resultar em ações organizadas, protestos e campanhas que busquem um mundo mais justo.
A luta contra a transfobia precisa ser parte da agenda diária da juventude e da classe trabalhadora. Não é possível combater a violência contra pessoas trans sem enfrentar a pobreza, o desemprego e os discursos conservadores. O governo Lula-Alckmin, por exemplo, tem sido criticado por manter práticas transfóbicas, demonstrando a hipocrisia de um discurso que promete diversidade enquanto falha em garantir condições materiais para a população trans.
Transformando Luto em Luta
Em Mossoró e em todo o Rio Grande do Norte, é vital que a morte de Samira sirva como um alerta contra a extrema-direita e as forças conservadoras que buscam fortalecer sua presença. A sua memória deve ser um grito por transformação e justiça. A história de Emanuelle Samira Fernandes Neta precisa ser contada, não como uma lembrança passiva, mas como um impulso para a ação.
Por cada travesti e mulher trans assassinada, é essencial que transformemos o luto em organização, a indignação em mobilização e a memória em luta coletiva. A resposta ao assassinato de Samira deve ser a luta constante pela dignidade, inclusão e direitos fundamentais para todas as pessoas. O silêncio não pode ser uma opção. A luta continua.
