Modelo de Pooling da CHEP Impulsiona a Eficiência logística
A modernização da infraestrutura logística no Brasil, reforçada pelo Plano Nacional de Logística (PNL), reposiciona os portos como elementos essenciais para a competitividade do país. Esses terminais, cruciais para o escoamento das exportações — principalmente do agronegócio — enfrentam desafios históricos relacionados à capacidade, previsibilidade e eficiência operacional. Nesse cenário, soluções privadas focadas na padronização e na gestão de ativos ganham destaque como complementos às políticas públicas.
É nesse contexto que a CHEP, parte do grupo australiano Brambles, se insere ao desenvolver atividades voltadas à logística reversa e à gestão de paletes sob um modelo de economia circular. Com presença em 60 países e mais de 348 milhões de ativos em circulação global, a empresa tem expandido sua atuação nas cadeias de exportação brasileiras, especialmente em segmentos como o de frutas frescas.
A operação da CHEP é marcada pelo modelo de “pooling”, que inova ao permitir que os paletes não sejam comprados, mas sim alugados e geridos durante todo o ciclo logístico. No caso das exportações, os ativos são enviados já de acordo com os padrões exigidos pelos países destinatários, como os europeus, e permanecem no mercado importador após a entrega, sendo reinseridos na rede local.
Flávio Gaspar, gerente comercial da CHEP Brasil, destaca que esse modelo minimiza fricções típicas do comércio exterior. “Quando um palete não atende às exigências sanitárias ou regulatórias, a carga pode ser retida na alfândega, o que gera custos exorbitantes e até perda do produto”, explica. A CHEP assegura que, ao garantir conformidade e rastreabilidade dos produtos, pode reduzir riscos operacionais e acelerar os processos de liberação nos portos de destino.
Gargalos Logísticos e Oportunidades de Crescimento
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Além de promover a padronização, o modelo da CHEP oferece ganhos econômicos significativos. A empresa estima que a diminuição dos custos logísticos pode atingir até 30%, dependendo da ineficiência anterior do cliente. Parte dessa economia provém da eliminação de investimentos em ativos (CAPEX), uma vez que os paletes deixam de ser propriedade das empresas, proporcionando maior flexibilidade para gerenciar sazonalidades, como as safras agrícolas.
A atuação da CHEP nos portos brasileiros reflete a geografia das exportações. No caso das frutas, que representam seu principal segmento, os embarques se concentram em terminais do Nordeste, como Suape (PE) e Natal (RN), que recebem produção do Vale do São Francisco e de Mossoró (RN). A empresa também está ampliando sua presença em outras cadeias e regiões, incluindo operações no Sul para exportação de calçados.
No Brasil, a CHEP possui 18 centros de serviço e mais de 2 mil clientes ativos na América Latina. Embora a empresa não revele sua participação de mercado local, destaca que em regiões mais desenvolvidas, como Europa e Estados Unidos, o modelo de economia circular já ocupa uma fatia relevante do mercado, ultrapassando dois dígitos.
Desafios e Tendências Futuras
Apesar das melhorias esperadas com o Plano Nacional de Logística (PNL), líderes do setor reconhecem que os gargalos logísticos vão além da infraestrutura física. Fatores como a falta de padronização, baixa automação e picos sazonais de demanda ainda pressionam a eficiência portuária.
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A automação é uma tendência global, já adotada em terminais da Europa e Estados Unidos, e intensifica a necessidade de integração entre os diferentes elos da cadeia logística. “Quem recebe a carga já está se automatizando. Quem envia também terá de se adaptar”, afirma.
Sustentabilidade e Demanda por Certificações Ambientais
Outro fator impulsionador do modelo da CHEP é a crescente preocupação ambiental. Na Europa, regulamentações mais rigorosas sobre economia circular e destinação de resíduos começam a impactar os exportadores. Em alguns casos, as empresas podem ser responsabilizadas pelo descarte de materiais logísticos, como paletes, nos países de destino.
A CHEP assegura que seu modelo elimina esse passivo ao garantir a reutilização dos ativos durante ciclos que podem ultrapassar dez anos. A empresa também oferece certificações ambientais baseadas em metodologias da consultoria RDC Environment, que mensuram a redução de emissões de CO₂, consumo de madeira e geração de resíduos.
A demanda por essas certificações é mais intensa entre multinacionais e empresas com metas ESG (ambientais, sociais e de governança) bem definidas, mas tem crescido no Brasil. “Companhias globais já trazem essa exigência para suas operações locais, e empresas brasileiras começam a incorporar essas metas”, destaca o executivo.
Oportunidades de Expansão no Mercado Brasileiro
Apesar do progresso, o mercado brasileiro ainda apresenta baixa maturidade em economia circular, o que abre um espaço significativo para a expansão. Segundo a CHEP, mais da metade do mercado de paletes no país opera em um modelo linear — de compra, uso e descarte.
Com a possível ampliação de acordos comerciais, como o entre Mercosul e União Europeia, espera-se um aumento no volume de exportações de produtos industrializados, o que poderá ampliar a demanda por soluções logísticas padronizadas.
Para a Brambles, o Brasil é um mercado estratégico. Com mais de 27 anos de presença no país, a operação local é vista como em estágio de crescimento, com alto potencial diante do tamanho do mercado e da complexidade logística nacional.
À medida que os investimentos públicos avançam e a pressão por eficiência e sustentabilidade se intensificam, a integração entre a infraestrutura e soluções privadas deve ganhar maior destaque. Nesse contexto, a padronização pode se tornar um dos propulsores da competitividade nos portos brasileiros.
