Programação em Destaque nas Escolas Livres
No mês dedicado ao “Abril Indígena”, as 68 Escolas Livres de Formação em Arte e Cultura promovem uma série de atividades voltadas para o fortalecimento da presença e do protagonismo dos povos indígenas. Esta iniciativa, parte de uma política pública do Ministério da Cultura (MinC) e coordenada pela Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli), se estende por todas as cinco regiões brasileiras. O objetivo é proporcionar um espaço para que a cultura indígena seja celebrada e divulgada, ressaltando sua importância na identidade cultural do país.
Entre as diversas ações realizadas, destacam-se oficinas, produções culturais e atividades artísticas que buscam valorizar a riqueza das tradições indígenas. A seguir, apresentamos algumas iniciativas notáveis das Escolas Livres que se dedicam a esta temática.
Escola Livre Abya Yala: Autoria e Voz Indígena
A Escola Livre Abya Yala, vinculada à Organização da Sociedade Civil (OSC) Thydêwá, tem se destacado neste “Abril Indígena” ao evidenciar conquistas que reafirmam a importância da autoria indígena na cultura brasileira. As atividades têm se concentrado na valorização da produção artística indígena, tanto na televisão quanto na literatura.
Na televisão, a TVE está exibindo dois curtas-metragens, “Inteligência Ancestral” e “Canto da Lua”, ambos produzidos com a participação ativa da Escola. Esses filmes, que contemplam a Audiodescrição (AD) e a Língua Brasileira de Sinais (Libras), buscam assegurar a acessibilidade para todos os públicos e estão circulando em festivais nacionais e internacionais.
No campo literário, a coleção “Índios na Visão dos Índios”, com um total de 33 títulos publicados, foi escolhida como finalista pela Fundação Banco do Brasil na categoria Tecnologia Social. Em janeiro de 2024, a Escola Livre Abya Yala iniciará um novo ciclo de atividades com a metodologia chamada “Autoria Indígena”. Até o momento, já foram publicados três livros, com mais dois previstos para 2024 e um em 2026. A “Autoria Indígena” é uma das iniciativas celebradas no VIVALEITURA, cuja cerimônia de premiação ocorrerá em 23 de abril, revelando os vencedores de cada categoria.
Ao promover essas ações, a Escola Livre Abya Yala reafirma seu compromisso com a soberania comunicativa, cultural e literária dos povos indígenas no Brasil.
Organização Social Vokuim: Valorização das Culturas Populares
Outra iniciativa significativa vem da Organização Social Vokuim, que lançou a websérie “Prêmio do Cocar”, dedicada a mestres e mestras das culturas populares de Minas Gerais. A série, que percorre diversas regiões do estado, documenta saberes ancestrais de povos indígenas e quilombolas. Com uma jornada de 7,5 mil quilômetros e mais de 120 horas de filmagens, o projeto registra as histórias de 18 guardiões da cultura popular, com idades variando entre 65 e 101 anos.
O “Prêmio do Cocar: Pajé Vicente Xakriabá” contemplou 18 agentes culturais entre 167 inscritos de 61 municípios mineiros, com cada um deles recebendo R$ 21 mil em reconhecimento por sua contribuição à cultura popular. Essa iniciativa é uma homenagem ao Pajé Vicente Xakriabá, um ícone na defesa dos direitos indígenas e da espiritualidade do cerrado mineiro. O projeto foi viabilizado com emenda parlamentar da deputada federal Célia Xakriabá (Psol-MG) e vinculado à Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (MinC).
Instituto Nova Era de Desenvolvimento: Conexão com Saberes Ancestrais
Recentemente, o Instituto Nova Era de Desenvolvimento promoveu oficinas do projeto “Encantar da Floresta”, na Escola de Artes e Saberes Florestais Jardim da Natureza. Durante o evento, as mulheres indígenas Apurinã se reuniram para um ciclo de aprendizados em cestaria tradicional utilizando arumã. Com a participação de 22 mulheres, o encontro fortaleceu saberes ancestrais e a conexão com a floresta viva.
FETAC e a Formação em Artes Cênicas
A Federação Tocantinense de Artes Cênicas (FETAC), uma Organização da Sociedade Civil (OSC) que representa trabalhadores de Teatro, Dança e Circo no Tocantins, tem realizado um Circuito com 15 oficinas cênicas em várias cidades do interior do estado. O projeto visa fornecer conhecimento básico nas artes cênicas, incluindo experiências práticas e teóricas. O trabalho continua com mais 10 oficinas programadas para os próximos meses.
Um exemplo é a oficina de teatro realizada em 19 de março na Escola Estadual Indígena WaKômêkwa, na Aldeia Riozinho, em Tocantínia (TO), que ofereceu formação específica para o público indígena. Essa atividade foi realizada em parceria com a Cia. Art Sacra, promovendo uma troca cultural com a Tribo Xerente, onde os indígenas participaram de apresentações tradicionais e se prepararam para o evento anual “Paixão de Cristo”, que atrai cerca de 5 mil pessoas na capital tocantinense.
A Importância das Escolas Livres
Selecionadas pelo Minc em 2023 através de edital, as Escolas Livres de Arte e Cultura desempenham um papel vital no desenvolvimento de tecnologias socioculturais e educativas. Essas instituições, enraizadas em suas comunidades, são fundamentais para promover a cidadania e gerar impactos sociais positivos através de abordagens colaborativas. Ao integrar a Rede Nacional de Escolas Livres, elas se beneficiam do suporte necessário para ampliar o alcance de suas ações, garantindo acesso à educação artística de qualidade.
Em suas ações, as Escolas Livres se distanciam do ensino acadêmico tradicional ao adotar metodologias flexíveis que reconhecem a produção cultural como um direito essencial. O secretário de Formação Artística Cultural, Livro e Leitura do MinC, Fabiano Piúba, reforça essa ideia ao afirmar que “não há educação sem cultura. Ambas caminham juntas e, dessa confluência, surge uma diversidade de espaços formativos que oferecem à sociedade civil atividades em diversas linguagens, incluindo teatro, dança e culturas populares, afro-brasileiras e indígenas.”
