Conflitos e Propostas na Saúde Pública do RN
A saúde pública se tornou o foco central da pré-campanha ao governo do Rio Grande do Norte. Nos últimos dias, pré-candidatos e seus apoiadores têm intensificado a batalha de narrativas sobre a qualidade dos serviços públicos no estado, abordando temas como eficiência, atrasos e projetos em andamento.
Esse embate gira em torno de três figuras proeminentes: o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (PL), o ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), e o ex-secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier (PT). Todos eles estão na corrida para o governo e buscam estabelecer suas imagens com base em realizações e críticas direcionadas aos oponentes, tendo como pano de fundo a urgente necessidade de melhorias na assistência à saúde.
Álvaro Dias, por exemplo, tem sido alvo de duras críticas, especialmente pela situação do Hospital Municipal de Natal. Inaugurada oficialmente no final de 2024, a unidade ainda não está em funcionamento completo e permanece em obras na Avenida Omar O’Grady, na Zona Sul da capital potiguar.
Recentemente, Cadu Xavier visitou o local e classificou a situação do hospital como um exemplo clássico de obra inconclusa, apontando que o ex-prefeito inaugurou um equipamento sem condições adequadas para funcionamento. “Estamos aqui no Hospital Municipal. Mais uma obra inacabada do ex-prefeito Álvaro Dias. Esse hospital, que não está funcionando e nem pronto, foi inaugurado há mais de um ano. É hora de parar com as mentiras”, disparou Cadu em um vídeo compartilhado nas redes sociais.
Essa crítica faz parte da estratégia do campo governista para destacar a gestão de Álvaro Dias como problemática. Além do Hospital Municipal, Cadu também menciona outras obras inacabadas atribuídas a Álvaro, como o Mirante da Ladeira do Sol, a engorda da praia de Ponta Negra e o Complexo Turístico da Redinha.
Por outro lado, Álvaro Dias nega as acusações e afirma que as obras em Natal estão em execução, com contratos válidos e recursos garantidos. Em uma nota divulgada, afirmou: “Classificar obras em andamento como ‘inacabadas’ é uma demonstração de desconhecimento ou um ataque político intencional.” Sobre o Hospital Municipal, ele afirmou que apenas “ajustes” são necessários para abrir o atendimento ao público, prevendo que a unidade comece a funcionar em breve.
Comparações e Críticas Entre Candidatos
Enquanto Álvaro se defende, Allyson Bezerra se destaca ao apresentar a inauguração do Hospital Municipal de Mossoró, Francisca Conceição da Silva, como um de seus principais legados. Este hospital, com 1,7 mil metros quadrados, começou a operar imediatamente após sua inauguração em janeiro deste ano, sendo utilizado politicamente como um exemplo de gestão eficiente.
Allyson tem enfatizado que as obras devem ser entregues somente quando estão completamente prontas para o funcionamento. “Não entrego obra pela metade”, enfatizou o ex-prefeito em suas declarações. Ele também classificou Álvaro como o “prefeito das meias obras”, questionando a lógica de inaugurar um hospital que, mais de um ano depois, ainda se encontra sem realizar nenhum procedimento.
O governo da governadora Fátima Bezerra (PT) também busca construir sua narrativa no setor da saúde através da construção do Hospital Metropolitano do Rio Grande do Norte, localizado em Emaús, Parnamirim. Este projeto, com um investimento de mais de R$ 200 milhões, está sendo visto como uma solução para reorganizar a rede hospitalar e aliviar a pressão sobre o Hospital Walfredo Gurgel, que é a principal unidade de emergência do estado.
Na semana passada, os secretários Alexandre Motta (Saúde) e Gustavo Coelho (Infraestrutura) levaram a imprensa para acompanhar as obras, em resposta a críticas do deputado estadual Gustavo Carvalho (PL), que havia denunciado a paralisação dos trabalhos.
Desafios e Críticas ao Sistema de Saúde
Em meio a essa intensa disputa eleitoral, o governo estadual enfrenta críticas frequentes em relação às condições precárias de unidades como o Hospital Walfredo Gurgel e os atrasos no pagamento de fornecedores, que afetam a prestação de serviços. Álvaro Dias, em entrevista à Band RN, afirmou que a saúde pública do Rio Grande do Norte está “sucateada”, citando a superlotação no Walfredo Gurgel e questionando a falta de investimentos essenciais durante o governo atual.
Ele argumentou que, se houvesse um investimento mais robusto nos hospitais regionais, a pressão sobre o Walfredo Gurgel poderia ser reduzida significativamente, permitindo que muitos casos fossem tratados em sua origem. “O problema é que os hospitais regionais estão sucateados, e isso se deve à falta de investimento do governo,” declarou.
Além de destacar o Hospital Metropolitano, o governo lançou uma campanha publicitária afirmando que os serviços de saúde estão “melhores” do que antes. A Secretaria de Saúde Pública (Sesap) menciona que, entre 2019 e 2025, o número de leitos de UTI adulto aumentou de 98 para 220 no estado, além de reformas em hospitais, a criação da barreira ortopédica em Macaíba, a abertura do Hospital da Mulher e a construção de policlínicas como parte de seus esforços para melhorar a saúde pública.
