História Inspiradora de Empreendedorismo
Entre a precisão dos bisturis e a dedicação aos cortes especiais de cordeiro, o médico oftalmologista Tiano Vasconcelos descobriu no campo uma nova e promissora oportunidade de empreender. O que começou como um simples hobby, impulsionado pela curiosidade e amor pela ovinocultura, evoluiu para um modelo de negócio lucrativo em franca expansão no Oeste potiguar.
A Monxorós, criada há cerca de oito anos em Mossoró, se destaca pela qualidade incomparável de seus cortes nobres de cordeiro. A essência potiguar do negócio rendeu à empresa, recentemente, a conquista do selo Feito Potiguar, um reconhecimento que enaltece a autenticidade dos produtos locais.
Esse selo é parte de um movimento promovido pelo Sebrae no Rio Grande do Norte, em colaboração com diversas federações do setor produtivo e apoio do Governo do Estado. O objetivo é valorizar a origem, a identidade e a qualidade dos produtos potiguares, fortalecendo pequenos negócios e expandindo suas marcas no mercado.
Transformação do Mercado de Cordeiro
A trajetória da Monxorós reflete a necessidade de agregar valor à criação de ovinos, que era uma das paixões do médico. Antes de perceber o potencial do mercado, os cordeiros eram vendidos a marchantes sem nenhuma padronização. A mudança ocorreu com a decisão de investir no beneficiamento da carne e na oferta de cortes especiais, como paleta, carré e t-bone, destinados a um público mais exigente.
“Deixamos de vender apenas o animal e passamos a oferecer um produto final, com qualidade e padrão diferenciado para atender a um mercado específico”, resume Tiano.
Além da produção, a Monxorós estabeleceu um modelo colaborativo envolvendo pequenos e médios criadores da região. Os cordeiros são criteriosamente selecionados e levados a um confinamento onde recebem os cuidados essenciais para alcançar padrões de qualidade. Após esse processo, são enviados para a unidade de beneficiamento, onde os cortes e o processamento são realizados antes da comercialização.
O Papel do Sebrae no Sucesso da Monxorós
O empresário destaca que a certificação com o selo Feito Potiguar e a parceria com o Sebrae foram fundamentais para o crescimento da empresa. Desde a concepção do empreendimento até a capacitação da equipe, o suporte do Sebrae foi crucial para solidificar a presença da Monxorós no mercado local.
“O Sebrae foi essencial desde o início. Através do suporte que recebemos, conseguimos compreender a demanda desse mercado em Mossoró e estruturar todo o nosso processo, desde a ideia até a execução”, enfatiza Tiano, que também ressalta que a empresa foi a pioneira do segmento a conquistar o Selo de Inspeção Municipal (SIM) na cidade.
De acordo com Lecy Gadelha, analista técnico do Sebrae-RN, a atuação do Sebrae, com foco em consultorias e orientações técnicas, trouxe reflexos diretos na competitividade do negócio. “As ações implementadas pelo Sebrae foram decisivas para que a empresa se tornasse mais sustentável e conquistasse diferenciais competitivos relevantes no mercado, servindo como referência para outros empreendimentos”, afirma.
Resultados e Visão de Futuro
Com a certificação do Feito Potiguar, a Monxorós experimentou um crescimento significativo. “Observamos um aumento de cerca de 40% nas vendas após a obtenção do selo, o que nos obrigou a contratar novos colaboradores. Essa iniciativa foi extremamente benéfica para nosso crescimento”, conta Tiano.
Visando o futuro, a empresa já planeja expandir sua atuação além do Rio Grande do Norte, com foco em novos mercados, especialmente no Ceará, onde a proximidade geográfica pode facilitar a inserção da marca em Fortaleza.
Mais do que um negócio rentável, a Monxorós simboliza uma mudança de mentalidade: é a prova concreta de que é viável transformar uma paixão em um empreendimento sólido, interligando produtores, agregando valor à cadeia produtiva e oferecendo ao mercado produtos com identidade e qualidade potiguar.
Por meio do selo de procedência, o programa Feito Potiguar fortalece a identidade produtiva do estado e intensifica a competitividade das empresas locais. Em 2025, o movimento já havia registrado a adesão de 227 empresas de 58 municípios, incluindo 178 produtores de alimentos e bebidas, além de restaurantes e lojas que apoiam essa iniciativa.
