Transposição do Rio São Francisco: um marco na infraestrutura hídrica
O Governo Brasileiro está empenhado na execução da maior obra de infraestrutura hídrica da América Latina: a transposição do Rio São Francisco. Com uma extensão total de 477 quilômetros, os canais de concreto que transportam água cruzam os estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, promovendo esperança em regiões áridas.
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) projeta concluir as obras de transposição do Rio São Francisco antes do segundo semestre de 2026, com um foco especial no ramal Apodi, cuja finalização está prevista para fevereiro de 2027. Atualmente, as principais atividades estão concentradas na área de José da Penha, onde se trabalha na conclusão de um túnel, canais e em obras complementares, incluindo a instalação de comportas adjacentes ao sangradouro da Barragem de Pau dos Ferros.
A ideia de levar as águas do Rio São Francisco para o Nordeste remonta ao período imperial, mas o projeto só começou a ganhar vida em 2007, por iniciativa do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um nordestino de origem. Após um período de paralisação, as obras foram retomadas com força nos últimos anos.
Os 477 quilômetros da transposição se dividem em dois eixos: o eixo norte, que abrange 260 quilômetros, e o eixo leste, com 217 quilômetros. Neste sistema, são contabilizados 13 aquedutos, 9 estações de bombeamento e túneis com até 15 quilômetros de extensão, como o Concas, que interligam 27 reservatórios.
O canal de concreto do eixo leste termina na cidade de Monteiro, na Paraíba, beneficiando cerca de 3,9 milhões de pessoas distribuídas em 161 municípios. Esse trecho já está concluído e apresenta uma vazão de 27 metros cúbicos por segundo, representando um avanço significativo na disponibilidade de água para a população local.
A água que abastecerá o Rio Grande do Norte será proveniente do eixo norte da transposição do Rio São Francisco. Um canal levará água para o Vale do Açu, utilizando o Rio Piranhas Açu, que já está em operação, enquanto outro canal direcionará água para o Alto Oeste do estado, onde as obras estão em andamento. O canal que abastece o Piranhas Açu já está ativo desde 2025, trazendo alívio para a região.
O Ramal do Apodi, com uma extensão de 115,5 quilômetros, inicia sua trajetória na Barragem de Caiçara, na Paraíba, e chega ao reservatório da Barragem Angicos, localizado no município de José da Penha, no Rio Grande do Norte. De lá, a água será direcionada para a Barragem de Pau dos Ferros.
Para facilitar a passagem da água entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte, será construído o túnel Major Sales, que possui 6 quilômetros de extensão e está quase finalizado. Além do túnel, o projeto inclui cinco aquedutos, 16 canais e diversas estruturas hídricas nos reservatórios.
A Barragem de Pau dos Ferros também está passando por adequações para receber a água da transposição. Estão sendo instaladas duas comportas, com o intuito de garantir a perenização do leito do rio Apodi/Mossoró até a Barragem de Santa Cruz, em Apodi, que, por sua vez, liberará água através de suas comportas para manter a vazão do rio até a região de Mossoró.
Partindo do mesmo local que inicia o ramal Apodi, um outro canal se dirige ao território de Icó, seguindo pelo rio Salgado e Jaguaribe, até chegar ao açude do Castanhão, que tem uma capacidade de armazenamento superior a 7 bilhões de metros cúbicos de água, beneficiando a região do Vale do Jaguaribe.
