Centro de Pesquisa da Pré-História João de Araújo Pereira Neto
Na última sexta-feira, 27 de outubro, foi inaugurado em Mossoró, no Rio Grande do Norte, o Centro de Pesquisa da Pré-História João de Araújo Pereira Neto (CPPH), uma iniciativa que marca um marco importante para as áreas de Arqueologia e Paleontologia no Brasil. Este centro, vinculado à Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), é pioneiro ao reunir, em uma única instituição, pesquisas de ponta que exploram a cultura e a história das civilizações antigas.
O CPPH foi viabilizado por um convênio estabelecido em 2022 entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a UERN e a Companhia Paranaense de Energia (Copel), recebendo um investimento total de R$ 1,2 milhão. Projetado para ser um espaço de pesquisa, extensão e conservação de acervos científicos, o centro já conta com autorização do Iphan para a guarda qualificada de materiais arqueológicos, garantindo a preservação do nosso patrimônio cultural.
Acervo Rico e Diversificado
A sede do CPPH é equipada com uma reserva técnica para arqueologia, laboratórios dedicados à datação e conservação, além de uma sala específica para o armazenamento de materiais paleontológicos. O espaço já abriga cerca de 80 acervos científicos, totalizando aproximadamente 50 mil artefatos culturais, que revelam a rica história da região.
Entre os itens de destaque, encontram-se vestígios de grupos humanos que habitaram a área há mais de 9 mil anos e raridades como um vasilhame cerâmico da tradição Tupi-Guarani. A diversidade do acervo promete enriquecer ainda mais as pesquisas na área, além de servir como um importante recurso educacional.
Uma Visão Estratégica para o Patrimônio Cultural
Durante a cerimônia de inauguração, Deyvesson Gusmão, diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial (DPI) e representante do presidente do Iphan, destacou a importância estratégica do centro. “Trabalhar com cultura e incentivar o patrimônio cultural é uma decisão política. Quando falamos em patrimônio, falamos em cidadania”, afirmou. Ele ressaltou que o CPPH não só impactará o estado do Rio Grande do Norte, mas também terá relevância regional e nacional na promoção da cultura e da ciência.
João Gentil, superintendente do Iphan no RN, enfatizou que o espaço representa um novo capítulo para o patrimônio potiguar. “O patrimônio arqueológico não pertence unicamente ao passado; ele é um instrumento de educação, identidade e desenvolvimento”, afirmou. Segundo ele, o CPPH será um local de produção científica e formação de novos educadores, contribuindo para o desenvolvimento do conhecimento na área.
Democratização do Conhecimento e Cultura Viva
O professor Valdeci dos Santos, coordenador do CPPH, destacou que a essência do projeto é promover a democratização do conhecimento. Além de apoiar os cursos de graduação e pós-graduação da UERN, o acervo será acessível a estudantes de escolas públicas, permitindo que mais jovens tenham contato com a história e a ciência. “Trazer informação para os estudantes é a nossa essência”, enfatizou o coordenador.
A cerimônia de inauguração também foi marcada por uma apresentação cultural dos Ursos de Mossoró, uma manifestação tradicional da região, que reitera a conexão entre a pesquisa científica e a cultura viva do povo potiguar. Essa integração é fundamental para que o conhecimento adquirido nas ciências da pré-história seja disseminado e valorizado dentro da comunidade.
