Investigação Revela Indícios de Corrupção
A Polícia Federal (PF) finalizou uma investigação da Operação Mederi, que revela que o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, e uma mulher conhecida como Fátima foram os receptores de aproximadamente R$ 833 mil em propinas, supostamente pagos pela empresa Dismed. O montante foi obtido através de um detalhado cruzamento de dados financeiros e transferências bancárias da Dismed, que estaria envolvida em fraudes de contratos na área da saúde. As informações foram divulgadas pelo jornalista Dinarte Assunção, do Blog do Dina.
Conforme os dados obtidos pela PF, a Dismed recebeu um total de R$ 8.152.668,82 de diversas prefeituras, através de 213 transferências identificadas. No mesmo intervalo, os sócios da empresa realizaram 70 saques eletrônicos, totalizando R$ 2.210.000,00 em dinheiro. Esse valor representa 27% do total recebido, uma porcentagem que despertou a atenção dos investigadores.
Relatórios e Escutas Ambientais
O relatório da PF revela que o percentual de 27% se alinha com conversas interceptadas por escuta ambiental. Nos áudios, menciona-se que 25% do valor dos contratos seriam destinados a agentes públicos, sendo 15% para o prefeito e 10% para a mulher identificada como Fátima. Para a Polícia Federal, o padrão de saques sugere a prática de pagamentos ilegais.
No que diz respeito à situação específica de Mossoró, a investigação apurou que o Fundo Municipal de Saúde, junto ao Município, transferiu R$ 3.332.710,27 à Dismed. Ao aplicar o percentual de 25% mencionado nas gravações, os investigadores estimaram que R$ 833.177,57 teriam sido pagos em forma de propina a Allyson Bezerra e a sua interlocutora.
Investigações Ampliadas e Outras Prefeituras
A PF também sugere que o restante dos R$ 2,21 milhões que foram sacados em espécie pode ter sido destinado a repasses a outras administrações municipais que também realizaram pagamentos à Dismed. Documentos analisados indicam que pelo menos duas dezenas de municípios efetuaram transferências à empresa e estão sob investigação. Em alguns casos, a menção a prefeitos, vice-prefeitos ou seus parentes em negociações suspeitas levou à solicitação de abertura de procedimentos específicos.
Os investigadores também observaram que Mossoró parece ter um modelo próprio de desvio. Segundo a apuração, pelo menos metade dos recursos destinados às compras de medicamentos pode ter sido desviada para financiar atos de corrupção, envolvendo operadores financeiros, fiscais e empresários. Embora a Operação Mederi não tenha abrangido todos os municípios citados, a PF planeja tomar novas ações com base nas evidências coletadas.
Posicionamento do Prefeito Allyson Bezerra
Em resposta às acusações, o prefeito Allyson Bezerra nega qualquer envolvimento e afirma estar confiante na Justiça. Em uma nota, a defesa do gestor declarou que ele tem colaborado com as investigações e manifestou a intenção de esclarecer os fatos. Allyson Bezerra garante que conseguirá provar sua inocência durante o processo judicial.
Além disso, o prefeito ressaltou que implementou mecanismos de transparência para evitar fraudes nas aquisições de medicamentos em Mossoró e destacou que os investimentos realizados no município são públicos e passíveis de verificação. A defesa também fez um pedido ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região para que o sigilo do inquérito policial seja levantado, solicitação que, segundo a defesa, conta com o apoio da PF, visando permitir que o conteúdo dos autos seja amplamente acessível ao público.
