Análise sobre a Violência Política contra Mulheres
O ano de 2024 se apresenta como um desafio eleitoral, marcado pelo recrudescimento da violência política contra as mulheres. Nos últimos anos, essa forma de opressão tem se manifestado de diversas maneiras, com um aumento alarmante de atitudes machistas, racistas, capacitistas e misóginas. Parlamentares brasileiras têm sido alvos de discursos de ódio e ações que buscam deslegitimar suas presenças nos espaços políticos. Desde a exclusão de mulheres negras, indígenas ou LBTs de ambientes destinados ao debate político até ataques verbais desrespeitosos, a violência se estende a ameaças escritas em redes sociais e e-mails, muitas vezes com conteúdos extremamente agressivos, como ameaças de morte e estupro.
Esse cenário perigoso não se limita a parlamentares. Dirigentes partidárias e mulheres ativas em movimentos sociais também são vítimas desse fenômeno preocupante. Em um contexto onde a presença feminina na política deveria ser mais robusta, as mulheres enfrentam uma luta constante contra a violência, que, em muitos casos, se manifesta também nas esferas de poder não governamentais. A realidade é que os espaços de liderança têm sido tradicionalmente ocupados por homens, criando um ambiente hostil para aquelas que almejam uma representação igualitária.
A Influência do Patriarcado na Violência de Gênero
A crescente violência política de gênero, um conceito ainda debatido entre pesquisadores e militantes, se insere em um histórico de desvalorização e opressão das mulheres. Essa violência não atinge todas as mulheres de maneira equitativa. É importante notar que mulheres negras, indígenas e de classes sociais mais baixas sentem o peso dessas agressões de maneira mais intensa. A autora Olívia Santana, em seu livro “Mulher Preta na Política”, critica a predominância de homens brancos e ricos no espaço político, que, apesar de alguns avanços democráticos, continuam a dominar a representação social. A meritocracia, segundo ela, serve como uma fachada que perpetua desigualdades.
Entre os fatores que contribuem para a escalada da violência política contra mulheres está o fortalecimento de setores conservadores e antidemocráticos dentro do parlamento, que buscam calar as vozes femininas. Calar as mulheres equivale a silenciar a própria democracia. Além das questões políticas, o patriarcado continua a ser uma força estrutural que influencia comportamentos opressores, criando um ambiente adverso para as mulheres.
Desigualdades Persistentes na Política Brasileira
O Brasil ainda ocupa a 133ª posição no ranking global de representação feminina no parlamento, de acordo com o mapa “Mulheres na Política”, publicado pela ONU Mulheres e pela União Interparlamentar (UIP). Apesar de algumas mudanças legislativas que buscam aumentar essa representação, como a destinação de 30% do financiamento de campanhas para mulheres desde 2018, a prática ainda é tímida e insuficiente. O número de mulheres eleitas nas eleições de 2018 cresceu 52,6% em relação a 2014, e essa tendência se manteve em 2022, elevando a representação feminina na Câmara dos Deputados para 18% e no Senado para 19,75%.
Essa mudança, embora positiva, ocorre em um contexto de resistência. As mulheres brasileiras estão quebrando estereótipos e se afirmando como líderes em diversas áreas, contribuindo para uma política mais inclusiva. O desafio, no entanto, é imenso. Enquanto a sociedade avança, os setores conservadores tentam constranger a presença das mulheres na esfera pública, insinuando que elas devem se restringir ao papel tradicional.
Resistência e Avanço: As Mulheres na Linha de Frente
Apesar de todas as ameaças e da violência, a participação feminina na política é crucial, tanto para as mulheres quanto para a própria democracia. As vozes femininas precisam ser ouvidas na formulação de políticas públicas. Neste ano eleitoral, a luta por uma representatividade real continua, e as mulheres estão dispostas a enfrentar os desafios impostos. Historicamente, a resistência das mulheres frente à opressão é uma constante. Assim como no passado, as que se levantam contra a injustiça podem encontrar a violência, mas a coragem delas é um fator fundamental para a construção de um futuro mais justo.
Por fim, a violência política não é um fenômeno isolado, mas parte de um contexto mais amplo de opressão. A história nos ensina que a luta das mulheres, embora repleta de desafios, é também um caminho de resistência e avanço. Diante de um cenário eleitoral complexo, é essencial que a sociedade se una para garantir que as mulheres continuem ocupando espaços de poder, não apenas como uma questão de direitos, mas como um imperativo democrático.
