Articulações no Congresso para Derrubar o Veto
Aliados de Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, e Davi Alcolumbre, presidente do Senado, afirmam que a liderança do Congresso já está em movimento para anular o possível veto imposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto da dosimetria. Esse projeto, que visa beneficiar os condenados pelos ataques antidemocráticos, foi aprovado pelo Legislativo em dezembro de 2025.
Recentemente, a expectativa é que Lula aproveite um evento simbólico para formalizar o veto, o que reacendeu as tensões entre o Executivo e o Legislativo, principalmente na Câmara, onde a proposta recebeu um apoio significativo. O ato organizado pelo governo, que marca os três anos dos ataques, será uma oportunidade crucial para observar como essa relação se desenvolve neste início de 2026.
Se o veto for confirmado, tanto Alcolumbre quanto Motta sinalizaram que contam com um número mínimo de votos necessários para reverter a decisão em votação no Congresso. Curiosamente, os dois parlamentares optaram por não comparecer ao evento, o que é visto como uma manobra de cautela institucional. Essa ausência representa uma escolha de não se alinhar explicitamente ao gesto do governo, evitando um confronto direto, mas também se distanciando da simbologia do evento.
Segundo Ciro Nogueira (PP-PI), um dos parlamentares mais próximos de Motta, há votos suficientes para derrubar o veto, que seria considerado um “desrespeito ao Legislativo”. Ele enfatiza: “A dosimetria foi aprovada com mais de 300 votos. O veto será facilmente revogado. Lula está usando esse veto como uma bandeira política e simbólica, em vez de uma estratégia pragmática para se manter no poder. Não faria sentido que Motta e Alcolumbre participassem de um evento que poderia sacramentar um veto que desrespeita o Parlamento. Isso já demonstra claramente a intenção do Congresso em relação ao veto, caso ele se concretize.”
Na votação da Câmara, o PL da Dosimetria recebeu 291 votos a favor, contra 148 contrários. Já no Senado, o placar foi 48 a 25. Para a derrubada de um veto presidencial, é preciso conquistar ao menos 257 votos na Câmara e 41 no Senado.
Nos últimos anos, tanto Motta quanto Alcolumbre já tinham reduzido suas presenças nos atos de memória e repúdio à invasão dos Três Poderes, o que pode refletir uma estratégia de distanciamento em relação a eventos que possam ser vistos como um apoio ao governo.
