Renúncia Irreversível e Oportunidade de Mudança
João Maia, deputado federal e um dos principais articuladores da pré-candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), ao Governo do Rio Grande do Norte em 2026, confirmou que a data para a renúncia de Allyson já está definida. Segundo Maia, o prefeito deixará o cargo em 30 de março, antecipando-se ao prazo legal que se estende até 4 de abril. “Allyson me disse que 30 de março sai da Prefeitura. E vai assumir a candidatura dele. Isso é irreversível”, declarou o parlamentar durante uma entrevista ao programa “Repórter 98”, da rádio 98 FM Natal.
Em suas declarações, João Maia enfatizou a necessidade de mudanças na gestão do Estado e destacou o potencial econômico subaproveitado do Rio Grande do Norte. “O Rio Grande do Norte, pelas condições que Deus lhe deu, é uma pérola”, afirmou, mencionando áreas como petróleo, gás, sal marinho, energias renováveis, fruticultura irrigada e turismo como setores promissores para o desenvolvimento econômico.
Cenário Estrutural e Dependência de Recursos Federais
Apesar da diversidade econômica, o deputado observou que o Estado enfrenta desafios estruturais significativos e uma dependência excessiva de recursos provenientes do governo federal. “Nós não conseguimos botar um paralelepípedo nesse estado se o dinheiro não vier do Governo Federal”, lamentou, sublinhando a urgência de discutir propostas de gestão em vez de se concentrar em rivalidades ideológicas.
“Às vezes, chega um novo que tem as ideias mais antigas que você. Então, não é novo na política nem novo na idade. Nós precisamos inovar, fazer diferente”, ressaltou o deputado, apontando Allyson Bezerra como a figura capaz de promover as mudanças necessárias na administração pública.
Aprovação Popular e Desafios à Candidatura
João Maia também mencionou a reeleição de Allyson em Mossoró, que recebeu uma expressiva aprovação de 78% dos votos válidos. Para ele, essa conquista é um indicativo da capacidade de gestão do prefeito. “Você ganhar a eleição é muitíssimo importante. Mas mais importante é chegar no dia 1º e saber o que vai fazer, como vai fazer, quanto custa e de onde vai tirar”, ponderou.
Impacto da Operação da Polícia Federal
Durante a conversa, Maia também abordou a Operação Mederi, da Polícia Federal, que investiga contratos da Prefeitura de Mossoró na área da saúde. Questionado sobre o possível impacto político da operação na pré-candidatura de Allyson, o parlamentar avaliou que a repercussão eleitoral até o momento foi mínima, apesar de o prefeito ter sido alvo de buscas. “Essa operação teve em várias prefeituras e se focou demasiadamente no prefeito de Mossoró”, observou.
Ele acredita que a população interpretou a investigação como uma tentativa de deslegitimar Allyson, já que ele é um dos líderes nas pesquisas. “As pessoas leram como se isso fosse porque ele está liderando a pesquisa. Então, o efeito mesmo da operação, do ponto de vista eleitoral, foi insignificante”, disse.
A Disputa para a Câmara dos Deputados
No que diz respeito à eleição para a Câmara dos Deputados, João Maia prevê que apenas três nominatas, no máximo quatro, serão competitivas. O parlamentar acredita que a diminuição no número de chapas fortes aumentará o quociente eleitoral necessário para garantir uma vaga. O PP, partido de Maia, está em uma federação com o União Brasil, e entre os nove nomes que deverão compor a nominata, estão os deputados Benes Leocádio (União) e Robinson Faria (PP).
O ex-deputado estadual Kelps Lima, que hoje está no Solidariedade, também foi mencionado como um possível candidato. João Maia destacou que cerca de 700 mil votos que estavam dispersos nas várias nominatas devem se concentrar em um número menor de candidaturas. “Tem em torno de 700 mil votos que vão migrar para um desses 27”, comentou, referindo-se aos candidatos viáveis nas três principais chapas.
A Competitividade da Eleição
O deputado comparou sua votação na última eleição, quando obteve 104 mil votos, ao cenário atual, afirmando que com a mesma quantidade de votos, ele não conseguiria sequer uma vaga de suplente. Ele prevê que a votação necessária para garantir uma candidatura pode ultrapassar 140 mil votos. Além disso, ressaltou que a competição será acirrada, já que todos os oito parlamentares em exercício buscarão a reeleição, além de novos candidatos que também não vêm para brincar. “Essa eleição para deputado federal não é coisa para menino buchudo, não”, concluiu.
