Investimentos que Transformam
Em 2025, o Rio Grande do Norte atingiu uma marca histórica ao produzir 1 milhão de litros de leite diariamente. Esse feito é resultado de modernizações significativas na indústria de laticínios do estado, que incluem ampliações de fábricas e o surgimento de novos empreendimentos, além de inovações nas linhas de produção. Os avanços são frutos de investimentos conjuntos entre o setor produtivo e diversas instituições que buscam impulsionar o setor leiteiro.
Atualmente, 43 indústrias de laticínios operam no Rio Grande do Norte, abrangendo todas as regiões do estado e gerando aproximadamente 800 empregos diretos. Essas informações são parte do Atlas da Indústria Potiguar, elaborado pelo Observatório da Indústria Mais RN, uma iniciativa da Federação das Indústrias do RN (FIERN).
Avanços na Indústria Láctea
O Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do RN (SINDLEITE-RN) tem desempenhado um papel crucial no fortalecimento da cadeia produtiva. Segundo o presidente da entidade, Túlio Veras, a indústria láctea do RN tem acompanhado as tendências nacionais nos últimos dez anos, avançando em direção à automação e à competitividade.
Veras observa que a presença de produtos lácteos potiguares nas prateleiras dos supermercados aumentou significativamente. “Dez anos atrás, não havia produção de muçarela no estado, e hoje temos oito marcas oferecendo esse tipo de queijo. Além disso, a produção de leite e derivados de búfala está se destacando, o que é raro em outros estados”, explica.
Transformações na Pecuária Leiteira
As inovações na cadeia produtiva não se restringem apenas às indústrias. A pecuária leiteira, que fornece a matéria-prima essencial, também está passando por transformações significativas. Essas mudanças visam aumentar a qualidade e a quantidade de leite produzido, além de tornar o setor mais competitivo.
Entre as inovações estão a transição de uma coleta manual para processos mecanizados, como a ordenha mecânica e o uso de tanques de resfriamento. Técnicas de balanceamento nutricional nas dietas dos animais e melhorias genéticas com raças mais produtivas também estão sendo implementadas. “No Seridó, já existem instalações do tipo ‘compost barn’, que oferecem maior conforto aos animais, contribuindo para uma produção mais eficiente e controlada”, destaca Veras.
Impactos Econômicos da Modernização
Os investimos na produção de leite têm gerado frutos não apenas em termos de volume, mas também em valor econômico. De acordo com a Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE, o valor da produção saltou de R$ 538 milhões em 2020 para R$ 981 milhões em 2024.
Veras enfatiza que, embora o estado tenha superado um panorama de baixa produtividade, ainda há espaço para crescer. “Temos aprendido muito com outros estados e até com a Argentina. As lições que trazemos de lá mostram que é possível implementar inovações e eficiência aqui, o que traria mais empregos e produtos lácteos diversificados para os supermercados do Brasil”, afirma.
Desafios e Oportunidades
A busca por inovação e modernização visa tornar o setor competitivo o suficiente para vencer barreiras e expandir sua presença. Este esforço conta com a colaboração de diversos atores, incluindo profissionais, produtores, indústrias, universidades e instituições financeiras, além do apoio de entidades como a FIERN e o Sebrae-RN.
Veras alerta que é crucial preparar a cadeia produtiva para enfrentar os desafios históricos, como a seca e a baixa produtividade. “Não podemos esperar a seca chegar para agir. Quando a produção de leite diminui, o impacto financeiro é imediato para o produtor e a indústria. Precisamos de políticas públicas que ajudem a estruturar o setor e a promover estabilidade”, ressalta.
Além dos desafios climáticos, questões econômicas também são preocupantes. A política de importação do Mercosul impacta negativamente a competitividade local, com produtos lácteos estrangeiros chegando ao Brasil a preços inferiores aos custos de produção local. Veras comenta que os altos custos de energia elétrica e a escassez de mão de obra especializada complicam ainda mais a situação.
“Em agosto de 2025, visitamos a bacia leiteira de Castro, no Paraná, onde pudemos ver um nível de profissionalismo impressionante. Os produtores de lá são capazes de armazenar biomassa de forma estratégica, o que garante combustível para a alimentação do gado em períodos secos. Precisamos urgentemente de inovação e eficiência em nossas operações”, conclui.
Benefícios para o Consumidor e a Economia
A modernização da produção leiteira não traz benefícios apenas para os produtores, mas também para os consumidores e para a economia do estado como um todo. “Com a modernização, os produtos lácteos se tornam mais acessíveis e a qualidade se mantém, beneficiando diretamente o consumidor. Para a economia, isso representa a criação de mais empregos e maior renda no campo”, finaliza Veras.
