Reajuste nos Preços dos Combustíveis
Nesta quinta-feira (5), o Rio Grande do Norte enfrenta um aumento significativo nos preços dos combustíveis, resultado de reajustes anunciados por duas refinarias que abastecem a região. A decisão foi influenciada pela disparada nos preços do petróleo no cenário internacional, especialmente em decorrência do conflito militar entre os Estados Unidos e o Irã. Segundo Maxwell Flor, presidente do Sindipostos RN, os aumentos já são sentidos nas bombas, tornando-se inevitáveis frente aos elevados preços praticados.
A Refinaria Potiguar Clara Camarão, situada em Guamaré e sob a gestão da Brava Energia, destaca-se como a principal fornecedora de combustíveis para o estado, fornecendo aproximadamente 60% da demanda local. Em menos de uma semana, a refinaria aplicou o segundo reajuste, conforme confirmou Flor.
Os números demonstram a magnitude das alterações: apenas nesta semana, o preço da Gasolina A subiu de R$ 2,5915 para R$ 2,8915 por litro, representando um aumento de R$ 0,30 no produto puro. Isso resulta em um impacto estimado de R$ 0,21 por litro na gasolina comum que chega ao consumidor, que é composta em 70% pela Gasolina A. No caso do Diesel S500, o preço passou de R$ 3,3225 para R$ 4,0725, o que corresponde a um acréscimo de R$ 0,75 no produto puro, afetando em R$ 0,6375 o diesel misturado comercializado nos postos.
Na semana anterior, a mesma refinaria já havia promovido aumentos de R$ 0,075 na gasolina e R$ 0,035 no diesel. Somando essas duas altas, o valor da gasolina já acumula um incremento de quase R$ 0,38 por litro, enquanto o diesel apresenta um aumento próximo de R$ 0,80 por litro.
Impacto das Refinarias da Bahia
A Refinaria de Mataripe, localizada em São Francisco do Conde, na Bahia, também anunciou um reajuste que começa a valer hoje. Embora sua principal atuação seja no abastecimento da Bahia, essa unidade é uma fornecedora significativa para a região Nordeste e, ocasionalmente, abastece o Rio Grande do Norte via Porto de Suape, em Pernambuco.
Os aumentos promovidos pela Acelen, responsável pela Refinaria de Mataripe, são igualmente notáveis. A Gasolina A teve um reajuste de R$ 2,5370 para R$ 2,8370 (+R$ 0,30 no produto puro e R$ 0,21 no misturado). O Óleo Diesel S-10 passou de R$ 3,5633 para R$ 4,1841 (+R$ 0,6208 puro e R$ 0,5277 misturado), enquanto o Óleo Diesel S-500 também teve uma variação semelhante. O único produto que apresentou queda foi o GLP (gás de cozinha), que teve uma redução simbólica de R$ 0,003 por litro.
Contexto Internacional e Expectativas
O pano de fundo para esses aumentos é o conflito militar envolvendo os Estados Unidos e o Irã, que ocorre em uma região com alta produção de petróleo. O barril do tipo Brent, que era cotado a aproximadamente US$ 60 no início do ano, viu seu preço ultrapassar os US$ 80, alcançando US$ 84,15 em 4 de março, após registrar um aumento de quase 30% em um curto espaço de tempo. O bloqueio do Estreito de Ormuz, pelo qual transita uma parte significativa do petróleo mundial, é um dos fatores que mais têm pressionado os preços.
A partir de segunda-feira (2), as distribuidoras que atuam no Rio Grande do Norte já vinham implementando aumentos pontuais nos preços para os postos revendedores. Com os reajustes oficiais das refinarias, essa pressão tornou-se mais visível. “São aumentos muito expressivos que não há como o posto segurar em sua margem”, enfatizou Maxwell Flor.
A situação é particularmente delicada para o Rio Grande do Norte, visto que a Clara Camarão não processa gasolina nem diesel, sendo que toda a produção desses combustíveis é importada, principalmente dos Estados Unidos e Europa, através do Terminal Aquaviário de Guamaré. Isso significa que cada flutuação no câmbio e no preço internacional do barril de petróleo impacta diretamente os preços praticados pelas distribuidoras potiguares.
Além disso, o ICMS do etanol também sofreu um aumento no estado a partir de 1º de março, representando o maior impacto do país, com uma diferença de R$ 0,214 por litro na base de cálculo. Os consumidores que optam pelo abastecimento com etanol no RN já começam a sentir os efeitos dessa combinação de fatores.
Maxwell Flor expressou preocupação com o futuro: “Ainda não sabemos aonde isso vai nos levar. Torcemos para que essa guerra chegue ao fim rapidamente, permitindo que os preços voltem a patamares anteriores”, finalizou o dirigente. O setor aguarda a possibilidade de novos aumentos enquanto a situação de conflito persiste.
