Petrobras Reitera Independência e Avalia Preços dos Combustíveis em Cenário de Tensão Global
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, assegurou que não há qualquer tipo de pressão do governo federal para controlar os preços dos combustíveis no Brasil. A declaração acontece em um contexto delicado, marcado pela escalada de tensões entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, o que provocou um aumento significativo nos preços do petróleo no mercado internacional no início desta semana. A executiva destacou que a estatal está analisando atentamente essas variações globais antes de decidir se e quando repassar os custos aos consumidores.
Chambriard enfatizou que a empresa está monitorando com cautela os impactos da situação militar e prefere aguardar para verificar se essa elevação nos preços se tornará uma tendência duradoura. “Estamos acompanhando de perto todos esses acontecimentos e iremos reagir no momento certo. Precisamos ter certeza de que não se trata de uma tendência passageira”, disse em uma entrevista à Bloomberg, realizada em Nova York, na última segunda-feira (9).
A questão dos preços dos combustíveis tem grande relevância para o governo e pode afetar a opinião pública, especialmente em um ano eleitoral, onde oscilações de preços podem influenciar negativamente as pesquisas de intenção de voto. A presidente da Petrobras afirmou que a política atual de preços da companhia busca evitar flutuações abruptas que poderiam gerar consequências negativas na economia nacional. A estatal se compromete a equilibrar as variações do mercado internacional com a realidade do consumidor brasileiro.
No início da semana, o barril de petróleo superou a marca de US$ 100, o que pressionou os custos dos combustíveis e derivados utilizados em diversos setores econômicos. No entanto, na noite de segunda-feira (9), os preços caíram para US$ 89,06, após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a suposta conclusão da guerra.
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, a diferença entre os preços praticados pela Petrobras nas refinarias e os valores observados no exterior tem aumentado consideravelmente. Dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) indicam uma defasagem de 85% para o diesel e de 45% para a gasolina.
Na semana passada, em entrevista a jornalistas, Magda Chambriard informou que a Petrobras está pronta para enfrentar diferentes cenários de preços do petróleo, considerando a evolução do conflito no Golfo Pérsico. “Olhando para frente, vemos analistas prevendo que o petróleo pode alcançar US$ 120 no próximo ano, enquanto outros sinalizam um valor de US$ 53. Essa é a magnitude da volatilidade”, ressaltou, enfatizando a importância da empresa estar preparada para lidar com quaisquer desafios que possam surgir.
