O Impacto das Práticas ESG na Economia do Agronegócio
Em 2025, o Brasil registrou um crescimento de 2,3%, atingindo a impressionante marca de R$ 12,7 trilhões em seu Produto Interno Bruto (PIB). Nesse contexto, a agropecuária se destacou como protagonista, com um crescimento notável de 11,7% em relação ao ano anterior, contribuindo com cerca de 32,8% da expansão econômica do país, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O agronegócio, que abrange toda a cadeia produtiva, reafirma seu papel vital na economia nacional, atuando não apenas como um gigante econômico, mas também como um espaço promissor para a sustentabilidade, integrando recursos naturais e relações humanas com uma governança responsável.
É nesse cenário que o estudo Impact Edge, da EY-Parthenon, revela como a adoção de práticas ESG (ambientais, sociais e de governança) pode se transformar em benefícios concretos para produtores, sociedade e governo. A pesquisa aponta que a implementação consistente dessas práticas pode injetar R$ 247 bilhões na economia brasileira, aumentando o setor em até 26,5% — um crescimento que equivale ao acumulado do agronegócio nos últimos sete anos (segundo Cepea-USP/Esalq). Além disso, essa transformação é capaz de criar mais de 2,1 milhões de novos empregos e aumentar a arrecadação tributária em R$ 112 bilhões anualmente.
No aspecto ambiental, os benefícios também são significativos: a economia de 11,5 trilhões de litros de água, 2,8 TWh de energia, a redução de mais de 29 milhões de toneladas de resíduos e a prevenção da emissão de 328,6 milhões de toneladas de CO₂ por ano pintam um futuro mais sustentável e promissor.
A saúde pública se mostra como outra beneficiária dessa transformação, com a prevenção de 1.080 internações hospitalares anuais, resultando em uma economia de R$ 43 milhões para o Sistema Único de Saúde (SUS) a cada ano. É importante destacar que o estudo analisa apenas uma parte do setor, o que implica que, ao incluir todas as atividades, o impacto positivo pode ser ainda maior.
Transformando Desafios em Oportunidades
A sustentabilidade, que antes era vista como um custo, agora se transforma em um motor de valor que integra impacto positivo e vantagem estratégica. Se antes o agronegócio encarava a agenda ESG como uma obrigação, hoje está claro que as empresas que não se adaptarem estarão perdendo oportunidades valiosas, seja em inovações ou no acesso a recursos financeiros.
Com essa perspectiva, o estudo Impact Edge utilizou informações públicas para realizar uma análise abrangente do agronegócio, identificando oportunidades que desbloqueiam valor comercial e financeiro, como geração de empregos, melhora nas margens de produtos e reputação empresarial. A partir da análise de dados como compromissos, metas e progresso em diversas agendas sociais e ambientais, foi possível traçar mapas de impacto ao longo de toda a cadeia produtiva do agro.
Sete Pilares de Sustentabilidade
Focando nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a pesquisa mapeou sete pilares e simulou cenários para quantificar os impactos econômicos das ações. Os pilares são:
- Eficiência energética e fontes renováveis: A adoção de fontes limpas, como biomassa e energia solar, diminui a dependência de combustíveis fósseis e melhora a segurança energética das agroindústrias.
- Gestão de resíduos e logística reversa: Práticas de compostagem e biofertilizantes ajudam a fechar ciclos produtivos, minimizando passivos ambientais e fomentando novas oportunidades de emprego.
- Manejo de solo e sequestro de carbono: O manejo adequado do solo aumenta a produtividade e ajuda na restauração de ecossistemas, promovendo práticas como o plantio direto.
- Desmatamento zero e rastreabilidade: A conservação ambiental, aliada ao monitoramento de fornecedores, garante cadeias produtivas sustentáveis e aumenta a transparência no mercado.
- Eficiência no uso de defensivos e biotecnologia: A substituição de insumos sintéticos por bioinsumos reduz a contaminação ambiental e melhora a produtividade agrícola.
- Uso eficiente da água: A gestão sustentável da água, por meio de irrigação de precisão, assegura a disponibilidade do recurso e diminui custos operacionais.
- Iniciativas sociais e fortalecimento comunitário: Programas de educação e capacitação promovem a inclusão social e reduzem desigualdades, melhorando a qualidade de vida e a produtividade local.
O impacto dessas práticas é medido pelo Impact Edge, uma ferramenta econométrica que conecta iniciativas ESG aos seus efeitos financeiros e sociais, visando alavancar o crescimento no setor. O estudo demonstra que a integração coordenada das práticas ESG gera resultados positivos para a economia, comunidades e empresas.
