Participação Popular em Questão
A Prefeitura de Mossoró avança na finalização do novo Plano Diretor, mas o processo gerou controvérsias. Sob a gestão de Allyson Bezerra, do União Brasil, a construção do documento tem sido marcada por uma falta de democracia que contradiz a narrativa da administração municipal. Enquanto a gestão se apresenta como aberta à participação pública, na prática, a centralização do trabalho tem sido a norma, resultando em um espaço reduzido, ou praticamente inexistente, para a contribuição popular.
Denúncias obtidas pelo Portal Na Boca da Noite revelam que as universidades do Estado, como a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) e a Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), foram excluídas de discussões cruciais para a cidade. Segundo relatos, a prefeitura ofereceu um formulário às instituições de ensino para que pudessem expressar suas sugestões sobre o Plano Diretor. No entanto, o que se seguiu foi um aparente boicote: o mensageiro que deveria recolher os formulários nunca apareceu após o prazo estipulado.
Com isso, as universidades acabaram impossibilitadas de contribuir para as discussões, um cenário que levanta sérias preocupações sobre a transparência e a inclusão no processo. O Boca da Noite buscou uma resposta da administração municipal diante dessas denúncias, contatando o secretário de Comunicação Social (Secom), Wesley Duarte. Apesar dos esforços realizados na última quinta-feira, ainda não houve retorno por parte da prefeitura sobre as alegações apresentadas.
A ausência de diálogo com as instituições de ensino tem gerado críticas de diversos setores da sociedade, que veem esse cenário como um retrocesso nas práticas democráticas e na valorização do conhecimento que as universidades podem trazer para o desenvolvimento urbano. A expectativa é que, diante da repercussão das denúncias, a gestão municipal reavalie sua posição e busque uma maior inclusão das vozes acadêmicas nas discussões que moldarão o futuro de Mossoró.
