O PL e Sua Importância na Política Potiguar
O Partido Liberal (PL) pode se consolidar como o fiel da balança em uma eventual eleição indireta para a governadoria do Rio Grande do Norte. Esse cenário se torna mais provável com a iminente renúncia da governadora Fátima Bezerra (PT) para se candidatar ao Senado Federal. Caso o vice-governador Walter Alves (MDB) não assuma o Executivo em abril, o PL poderá assumir uma posição de destaque na Assembleia Legislativa.
Atualmente, o PL conta com seis deputados, em parceria com o PSDB, mas deve se tornar o maior partido da Assembleia a partir de 22 de janeiro, ao incluir o deputado Luiz Eduardo, que deixa o Solidariedade. Existe ainda a expectativa de que o deputado Adjuto Dias (MDB) se junte ao PL, elevando o número de parlamentares para oito. Esse fortalecimento é crucial, pois o PL poderia controlar um terço dos votos no colégio eleitoral da Assembleia, que conta com 24 deputados, o que lhe confere significativa influência nas decisões políticas do estado.
Desafios e Expectativas para a Eleição Indireta
O deputado Tomba Farias (PL) adota uma postura cautelosa ao comentar sobre a eleição indireta, afirmando que ainda é muito cedo para se discutir candidatos. Ele destaca que a bancada do PL está à espera do presidente nacional da sigla, o senador Rogério Marinho, que se reunirá com os deputados em breve para traçar estratégias para a campanha deste ano. Farias também enfatiza a necessidade de derrubar o veto da governadora Fátima Bezerra sobre a lei de repasses do ICMS e IPVA para os municípios, uma questão que requer urgência após o retorno das atividades legislativas em fevereiro.
Entretanto, Tomba também expressa preocupações quanto à eventual gestão do governante que assumir o cargo temporariamente, afirmando que essa pessoa enfrentará grandes dificuldades, especialmente em um ano eleitoral. As incertezas sobre a situação financeira do estado complicam ainda mais o cenário.
A Visão de Outros Parlamentares
Por sua vez, o deputado José Dias (PL) menciona que não há clareza sobre quem estaria disposto a se candidatar na eleição indireta, mas relata que deputados como Vivaldo Costa (PV) e Dr. Bernardo (PSDB) já manifestaram interesse em disputar a governadoria. Dias adverte que o novo governante enfrentará problemas sérios, enfatizando que é difícil resolver questões estruturais em um curto espaço de tempo, especialmente durante um período eleitoral. Para ele, a falta de legitimidade do candidato escolhido torna a situação ainda mais complexa.
José Dias prevê que a vacância do governo será uma realidade em abril, principalmente devido à pressão interna do PT, que poderá levar Fátima Bezerra a renunciar. Ele não hesita em criticar a atual administração, classificando-a como a mais problemática da história do estado.
Um Cenário Político Fragmentado
O ambiente político atual na Assembleia Legislativa é marcado por divisões. A base de apoio da governadora Fátima Bezerra, embora fragilizada, ainda tenta reunir forças, enquanto um grupo alinhado ao prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), busca ampliar suas articulações para a candidatura ao governo. Nesse contexto, a bancada do PL, que inclui o nome reconhecido de Álvaro Dias, vem ganhando vitalidade.
Atualmente, a base governista é composta por apenas seis deputados, incluindo líderes como Francisco do PT e Dr. Bernardo (PSDB), além de outras figuras do PT e do PV. O presidente da Assembleia, Ezequiel Ferreira, mantém uma posição neutra, sem se manifestar abertamente sobre a sucessão estadual, embora tenha demonstrado aliança com Walter Alves nas redes sociais.
Expectativas Sobre a Sucessão Estadual
A presidente estadual do PT, vereadora Samanda Alves, acredita que o grupo governista continuará a ser um ator relevante na disputa pela sucessão ao governo do estado. Ela argumenta que a transferência do poder para Walter Alves é uma expectativa natural e legítima, especialmente considerando que ele foi eleito vice-governador. Samanda reafirma o compromisso do PT em não deixar o estado à deriva, independentemente dos desafios políticos que possam surgir.
A última eleição indireta para o governo do Rio Grande do Norte ocorreu durante a Ditadura Militar, e a memória desse período ainda é um ponto sensível na política local. Desde a redemocratização, os cidadãos potiguares voltaram a escolher seus governadores pelo voto direto.
Com todas essas movimentações no cenário político do RN, o papel do PL e a possível eleição indireta para a governadoria se tornam temas centrais nas discussões políticas atuais. A pressão por decisões rápidas e eficazes aumenta, enquanto os partidos tentam se reorganizar para enfrentar os desafios que estão por vir.
