Investigação em Curso sobre Mortes em Mossoró
A Vigilância Sanitária ainda não forneceu respostas concretas sobre as mortes de pacientes no Centro de Diálise de Mossoró, ocorridas na terça-feira, 24 de março. Em resposta ao trágico evento, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) decidiu transferir os pacientes do Centro de Diálise de Mossoró (CDM) para outras clínicas em diferentes cidades do Rio Grande do Norte, garantindo assim a continuidade do tratamento de forma segura.
A informação sobre a realocação dos pacientes foi confirmada pelo secretário de Saúde, Alexandre Motta. Atualmente, a clínica atende 224 pacientes, dos quais 208 são atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e 16 por meio de convênios privados. A medida visa assegurar que, mesmo com a interdição do CDM, os pacientes continuem a receber a hemodiálise necessária.
“A interdição da Clínica de Diálise de Mossoró criou um desafio adicional para nós, que é a realocação dos pacientes. Eles serão transferidos para clínicas localizadas em Mossoró, Seridó, Pau dos Ferros, Assú e Santa Cruz. Essa foi nossa ideia inicial para garantir que todos tenham acesso ao tratamento de diálise,” declarou Motta.
Motivos da Interdição e Resposta da Vigilância Sanitária
O secretário ressaltou que a interdição do CDM se dá para que a Vigilância Sanitária possa investigar as causas das mortes. A apuração determinará se os óbitos foram eventos adversos ou se possuem outras relações com o tratamento recebido na clínica. “Fui informado sobre a situação enquanto estava em um voo para Brasília. Imediatamente, pedi para que a Vigilância Sanitária entrasse em contato com a Vigilância de Mossoró, responsável pelas clínicas na cidade, para iniciar a avaliação. Também orientamos a interdição cautelar para evitar maiores problemas durante a investigação,” afirmou.
A interdição é uma medida preventiva até que a segurança dos pacientes seja garantida. O CDM mantém um contrato com a Sesap e atende a pacientes particulares e de planos de saúde. As equipes técnicas da secretaria acompanharão a transição de forma organizada e segura.
A Secretaria de Saúde também está atenta ao andamento das investigações e às condições de funcionamento da clínica, em colaboração com a Vigilância Sanitária de Mossoró, que já iniciou a apuração das causas dos óbitos e a relação com possíveis eventos adversos.
Identificação das Vítimas e Resposta da Clínica
As duas pacientes que faleceram foram identificadas como Raquel Ferreira da Silva Cabral, de 54 anos, e Iraci Inácio de Lima, de 75 anos, ambas naturais do município de Assú. Raquel, que realizava hemodiálise há mais de cinco anos, teve a causa da morte identificada como infarto agudo do miocárdio, segundo informações prestadas pelos familiares.
A Clínica de Diálise de Mossoró se manifestou em nota sobre as notícias que circulam a respeito de uma possível contaminação da água utilizada em seus atendimentos. A clínica afirmou que adota rigorosos padrões de controle de qualidade, com análises laboratoriais realizadas diariamente por bioquímicos qualificados e monitoramento mensal por um laboratório terceirizado, em conformidade com a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 8.
“Todos os laudos são encaminhados mensalmente para a Vigilância Sanitária, cumprindo todas as normas vigentes,” destaca a nota. A situação levanta questionamentos sobre a segurança dos pacientes em centros de diálise e a importância de monitoramento constante na prestação de serviços de saúde.
