Desempenho Insatisfatório nos Investimentos
O Rio Grande do Norte (RN) desponta como o estado nordestino que menos investiu entre janeiro e outubro de 2025 em relação à sua receita total, conforme revela um relatório da Secretaria do Tesouro Nacional (STN). O investimento liquidado no estado foi de apenas 3%, um desempenho que fica atrás de vizinhos como a Paraíba, com 11%, e Ceará, com 7%. Outros estados da região, como Maranhão e Piauí, também superaram o RN, investindo 13%. Esse panorama, embora parcial, repete a realidade do ano anterior, quando, entre janeiro e dezembro de 2024, o RN teve o pior desempenho, com apenas 5% de suas despesas direcionadas para investimentos.
Outra métrica que evidencia essa disparidade é o investimento per capita, que se refere ao valor investido dividido pela população do estado. Tanto os dados parciais de 2025 quanto os consolidados de 2024 colocam o RN na última posição do Nordeste nesse aspecto. Até outubro de 2025, o investimento per capita foi de R$ 106,55, bem aquém do valor orçado de R$ 460,40, de acordo com levantamento da Aequus Consultoria Econômica e Sistemas, em parceria com a STN/Siconfi. No ano anterior, o montante empenhado por habitante foi de R$ 313,19.
Perspectivas de Mudança no Cenário de Investimentos
A economista Tânia Villela, diretora da Aequus Consultoria, sugere que os resultados podem ser alterados com a inclusão dos dados de novembro e dezembro, meses críticos para a execução de investimentos. Os estados têm até o final de janeiro para apresentar suas informações ao Tesouro Nacional. Segundo Villela, os investimentos são aplicados, especialmente, em obras, aquisição de equipamentos e infraestrutura pública.
Os dados parciais de 2025 indicam que o RN foi o estado que mais reduziu a percentagem de investimentos em comparação ao mesmo período de 2024, apresentando uma queda de 40,8%. Neste intervalo, o valor investido foi de R$ 367,18 milhões.
Dados Fiscais e Importância do Equilíbrio
O relatório definitivo com as informações consolidadas será disponibilizado até 31 de janeiro pela Secretaria de Estado da Fazenda. A Assessoria de Comunicação do Governo do Estado informa que o total consolidado de investimentos para 2025 foi de R$ 605,17 milhões, o que representa o terceiro maior volume anual de investimentos em 16 anos, atrás apenas dos anos de 2022 e 2024, quando o estado recebeu recursos extraordinários do Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal (PEF).
Em 2024, o RN tomou um empréstimo de R$ 428 milhões através do PEF, focado na recuperação da malha viária do estado. Entre 2010 e 2025, o menor investimento registrado ocorreu em 2011, totalizando R$ 195,82 milhões.
Desafios Fiscais Impactam o Futuro dos Investimentos
Para Tânia Villela, a análise da situação fiscal do RN é crucial para entender sua capacidade de investimento. O estado faz parte do PEF, uma iniciativa do governo federal para estimular os entes federativos a adotarem medidas de austeridade financeira. O RN esteve temporariamente fora do programa em 2025 após descumprir metas fiscais, mas retornou após um acordo com o STF.
A economista enfatiza que a capacidade de investimento do estado é severamente limitada, evidenciada pela baixa nota Capag, que permaneceu desfavorável desde 2019. Ela destaca que 43% dos investimentos empenhados em 2024 foram de operações financeiras, indicando que o estado depende muito de créditos externos para financiar seus projetos.
Proposta para Melhorar a Arrecadação
As dificuldades do RN em expandir seus investimentos refletem diretamente sua situação fiscal. Em 2024, o estado foi o único do Nordeste a manter a nota Capag C e fechou o ano apresentando o menor investimento por habitante da região. Economistas entrevistados expressam que essa situação fiscal problemática é recorrente e limita a capacidade de captar investimentos. Por outro lado, estados vizinhos, como Ceará e Paraíba, têm atraído novas indústrias e avanços econômicos.
Para revertê-los, o economista Arthur Néo sugere que o estado desenvolva uma arrecadação mais moderna. Isso poderia permitir uma melhor eficiência na coleta tributária, sem a necessidade de aumentar impostos, e, assim, disponibilizar mais recursos para investimentos. Embora ele veja a importância de estudos sobre políticas de incentivos fiscais, não acredita em mudanças rápidas, especialmente com o ano eleitoral de 2026 se aproximando.
Desafios para o Setor Produtivo
Roberto Serquiz, presidente da Federação das Indústrias do RN, corroborou a análise de Néo, ressaltando que o estado enfrenta um descompasso fiscal que compromete sua capacidade de investimento. Marcelo Queiroz, presidente da Fecomércio-RN, aponta que o problema reside nas despesas, não nas receitas, e destaca a necessidade de soluções sustentáveis que garantam o equilíbrio das contas públicas sem onerar a população.
