Medida Marca a Reabertura do Mercado Chinês
Após um longo período de restrições que se estenderam por dezoito meses, a China anunciou oficialmente a revogação do embargo à importação de carne de frango proveniente do Rio Grande do Sul. A decisão, divulgada pelas autoridades chinesas na última sexta-feira (16), foi confirmada nesta terça-feira (20) tanto pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) do Brasil quanto por representantes do setor avícola nacional.
A interrupção das importações ocorreu devido a um surto da Doença de Newcastle detectado no território gaúcho em julho de 2024. Essa situação levou Pequim a adotar medidas rigorosas que resultaram na suspensão das compras do produto avícola brasileiro.
A formalização da revogação do embargo foi realizada por meio de um comunicado conjunto da Administração-Geral das Alfândegas da China e do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais do país asiático, que cancelou uma decisão anterior baseada em uma avaliação de risco sanitário.
A restrição havia sido imposta após a confirmação da doença em uma propriedade avícola situada no município de Anta Gorda, no Rio Grande do Sul. Naquela ocasião, o estado enfrentou um estado de emergência zoosanitária que durou cerca de três semanas, evidenciando a gravidade da situação.
Em maio do ano anterior, o Rio Grande do Sul já havia registrado um caso de gripe aviária em uma granja em Montenegro. No entanto, em junho, o Brasil foi considerado livre da gripe após 28 dias sem novos registros. Apesar disso, a China permitiu a importação de frango de outros estados brasileiros, mantendo o embargo específico ao território gaúcho até agora.
Impacto Econômico no Setor Avícola
A exclusão do mercado chinês teve um impacto significativo nas exportações de carne de frango do Rio Grande do Sul. Em 2024, essa proibição comercial contribuiu para uma redução de cerca de 1% nas vendas externas do produto. Antes do embargo, a China respondia por quase 6% das exportações de frango do estado, embora uma parte dessa perda tenha sido compensada pela abertura de novos mercados.
De acordo com o Ministério da Agricultura, a reabertura das exportações foi possível graças à apresentação eficaz das estratégias de controle e erradicação da Doença de Newcastle, em total conformidade com os protocolos sanitários internacionais destinados à saúde animal.
Retomada Estratégica e Confiança no Setor
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) destacou que a reabertura do mercado chinês é um passo fundamental para a recuperação das relações comerciais. Em um comunicado, a entidade enfatizou que “a decisão reforça a confiança no sistema sanitário brasileiro e o reconhecimento global da nossa capacidade de resposta a crises”.
Segundo a ABPA, as negociações que conduziram ao fim do embargo foram caracterizadas por um diálogo contínuo com as autoridades de Pequim. Durante esse período, tanto as entidades do setor quanto o governo do Brasil apresentaram dados detalhados, demonstrando as medidas de contenção e erradicação da doença, além da adesão rigorosa aos padrões internacionais de sanidade animal.
Os representantes da indústria apontam que a perspectiva é de um retorno gradual das exportações, uma vez que os sistemas de habilitação forem atualizados e os certificados sanitários emitidos. A China continua sendo um dos principais mercados consumidores para o frango brasileiro, sendo considerada um parceiro essencial para a sustentabilidade do comércio global de proteína animal.
